Casa Branca EUA - créditos: divulgação
07-03-2026 às 15h48
Solange Mendes*
E de repente me vi naquele quarto suntuoso, um grande lustre de cristal no teto, uma porta de linóleo, janelas com grandes cortinas escuras e acetinadas. Eu deitada na perna de Tadeu, meu filho sentado numa cadeira ao nosso lado, mexendo num celular, e um senhor claro de olhos azuis, beirando uns setenta anos, recostado como Tadeu no encosto da cama…
Lembro que estavam de terno e os sapatos de verniz eram quase idênticos, De repente eu pegava o celular e ao ligá-lo me veio a cabeça o hino dos EUA, foi quando me lembrei dos últimos acontecimentos, falei que a chamada poderia ser com a introdução do hino e Tadeu e o senhor que era o Vice falaram ao mesmo tempo, é mesmo, porque não?
E assim me dei conta que meu marido, naquele momento, estava sendo confirmado Presidente e eu ainda sem saber muito bem o que pensar, estava começando a perceber a grandeza daquele momento e fazendo uma retrospectiva dos últimos acontecimentos, Comecei a falar, de poucos mais de 600 votos pra prefeito de Itaobim a Presidente da maior potência do mundo, e eu ali com ele, me tornando a primeira dama de tudo, comecei a chorar, era um misto de medo, felicidade orgulho de nós, e muita alegria!
Meus netos, seguranças distanciamento dos amigos, sim é isso, como mulher do Presidente teria um momento pra falar e a primeira coisa seria pedir pra que meus amigos não trocassem o número do celular, porque assim eu poderia me assegurar de não perder o contato e o carinho deles. ..
E levantei pra abrir a janela, lá fora policiais, repórteres do mundo inteiro e um mar de gente acenando com os olhos voltados pra onde eu estava, ali eu vi, meus dias de liberdade e paz estavam findando no momento que saíssemos, minhas tardes em minha casa de bobeira com meus netos virariam uma lembrança, um sonho vívido, Minha realidade agora era aquela Casa Branca com seus moveis antigos gente estranha circulando e dando palpites em nossa intimidade, meu marido com a responsabilidade do mundo nas costas e eu distante de mim…
Minha filha entrou e me passou o telefone era uma amiga, aí o telefone de Tadeu também começou a tocar, ao invés da viola caipira começou o hino da América e era tão alto que acordei!
Graças a Deus era sonho….
Acordada eu estava na minha cama, minhas flores na janela, um barulho da sirene de uma ambulância que socorria alguém e o bebê do prédio em frente que chora… Olhei pra minha Nossa Senhora Aparecida, que do oratório olha e zela por mim, fiz minha prece de gratidão e em seguida, ligando a TV eu vi a Casa Branca com o branco da neve a esfriar mais meu coração, nunca que eu ia querer o frio que se sente ali, o frio das decisões, da solidão e esse inverno não combina com o calor do meu coração!
Acordei como qualquer reles mortal. Sã e salva!
*Solange Mendes, dona de casa, funcionária pública aposentada, mãe, avó, bisavó, e cidadã de bem com a vida.

