Créditos: Divulgação
20-03-2026 às 15h30
Direto da Redação*
O turismo em Minas Gerais começou 2026 com um sinal pontual de fôlego, mas ainda distante de uma recuperação consistente. É o que mostra a análise do Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência & Pesquisa da Fecomércio MG, com base nos dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada pelo IBGE. Na comparação mensal, janeiro registrou leve alta de 0,2% no volume de atividade turística no estado frente a dezembro. O resultado contrasta com o cenário nacional, que apresentou retração de -1,1% no período. O desempenho mineiro ficou 1,3 ponto percentual acima da média do país, indicando um movimento de ajuste no curto prazo, mesmo fora da alta temporada. “A leitura mensal mostra um setor tentando se reorganizar, com sinais de retomada pontual. Minas acompanha um ritmo próprio, influenciado por fatores regionais e pela dinâmica do turismo interno”, avalia a economista da Fecomércio MG, Fernanda Gonçalves. Apesar desse avanço recente, o quadro estrutural ainda inspira cautela. Na comparação com janeiro de 2025, o turismo mineiro recuou -6,5%, enquanto o Brasil cresceu 3,5%. A diferença de 10 pontos percentuais evidencia uma perda de dinamismo do estado frente ao cenário nacional. “O resultado reforça que Minas ainda enfrenta desafios para recuperar fluxo e competitividade. Há uma desaceleração mais intensa quando olhamos para períodos mais longos”, afirma Fernanda.
O desempenho acumulado confirma essa tendência. Nos últimos 12 meses, o turismo em Minas Gerais registra queda de -4,9%, na contramão do Brasil, que acumula alta de 4,6%. A distância de 9,5 pontos percentuais em relação à média nacional revela um descompasso relevante. Enquanto destinos como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Amazonas avançam com força, Minas perde posição no ranking da atividade turística.
Ao analisarmos a pesquisa mensal de serviços por atividades, no acumulado de 12 meses, observa-se que a atividade de outros serviços apresentou desempenho acima da média nacional, com crescimento de 2,9%, e ao analisar janeiro de 2026 frente a janeiro 2025, a atividade performou acima da média brasileira com uma variação de 15,5%, com 13,6 pontos percentuais acima do observado nacionalmente. Para a economista, esse resultado foi uma das variáveis que impactou o índice de turismo, contribuindo para um resultado mais favorável no curto prazo em Minas Gerais. “Esse comportamento está associado, a segmentos ligados às atividades imobiliárias, indicando um ambiente mais dinâmico para setores que atuam de forma complementar ao turismo, especialmente aqueles relacionados à dinâmica urbana, à ocupação e locação de espaços e à prestação de serviços vinculados à mobilidade e à permanência temporária de pessoa no modelo tradicional,” explica.
Mesmo com oscilações de curto prazo, o diagnóstico é claro: Minas Gerais busca bons resultados no turismo nacional. O início de 2026 traz um sinal positivo, mas insuficiente para reverter a trajetória recente de retração.
Sobre a Fecomércio MG
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG) é a principal entidade representativa do setor do comércio de bens, serviços e turismo no estado, que abrange mais de 750 mil empresas e 54 sindicatos. Sob a presidência de Nadim Elias Donato Filho, a Fecomércio MG atua como porta-voz das demandas do empresariado, buscando soluções através do diálogo com o governo e a sociedade. Outra importante atribuição da Fecomércio MG é a administração do Serviço Social do Comércio (Sesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) em Minas Gerais. A atuação integrada das três casas fortalece a promoção de serviços que beneficiam comerciários, empresários e a comunidade em geral, a partir de suas diversas unidades distribuídas pelo estado.

