Ouro Preto - antiga capital de Minas Gerais e sede do Diário de Minas em 1866 - créditos: Turismo em Minas
17-02-2026 às 09h00
Soelson B. Araújo*
O Diário de Minas, primeiro jornal diário dos mineiros, foi fundado em 1866 por J. F. Castro, em Ouro Preto, então capital da província de Minas Gerais. Ao longo de 147 anos e mais de 41 mil edições impressas publicadas, construiu uma trajetória ímpar na história de Minas e do Brasil, tornando-se testemunha e protagonista de momentos decisivos da vida política, cultural e social do país.
Depois de sua fase inicial em Ouro Preto, o jornal passou por Juiz de Fora, durante o governo do presidente Hermes da Fonseca (1910/1015), até consolidar sua terceira versão na recém-inaugurada capital mineira, Belo Horizonte — a cidade das alterosas, que simbolizava a modernidade e o futuro do estado.
Grandes vultos das letras e do jornalismo brasileiro passaram por suas páginas e redações. O Diário de Minas atravessou o tempo em uma verdadeira viagem histórica, da tipografia artesanal ao mundo digital, sem jamais abdicar do sonho de uma imprensa livre e democrática. Em épocas em que a notícia vencia distâncias com dificuldade e o tempo era adversário constante, o jornal manteve acesa a chama da independência editorial, defendendo valores que conciliavam tradição e progresso — formando cidadãos e inspirando transformações sociais.
Desde suas primeiras edições em Ouro Preto, abraçou causas fundamentais para o ideal libertário de Minas Gerais, defendendo a abolição da escravatura e, posteriormente, a adoção do regime republicano.
Em Juiz de Fora, sob a direção do jurista e jornalista Augusto de Lima, o jornal apoiou, com firmeza, a transferência da capital mineira para Belo Horizonte. Na mesma época, seus primeiros editores, como Raul Pompeia, defendiam a criação da Academia Brasileira de Letras, reafirmando o compromisso do periódico com a cultura nacional.
Com a capital já instalada em Belo Horizonte, iniciou-se uma nova fase sob a liderança política de Francisco Sales, que reconheceu no jornal um instrumento estratégico na defesa dos interesses do estado. Ao longo dos anos, o Diário de Minas esteve ligado a nomes como Noraldino Lima e Negrão de Lima, ampliando sua influência no cenário mineiro.
Foi também em sua redação que ganharam força campanhas pela criação do Banco Credireal e pela fundação da Universidade Federal de Minas Gerais, defendida por seu editor geral Mendes Pimentel, posteriormente fundador da instituição.
O jornal assumiu posição clara em momentos decisivos, como no apoio à candidatura presidencial de Juscelino Kubitschek. Mais tarde, esteve ligado ao empresário e banqueiro Magalhães Pinto, em disputas políticas históricas que envolveram nomes como Tancredo Neves.
Carinhosamente chamado de DM, o jornal teve entre seus expoentes o poeta Carlos Drummond de Andrade, que comandou sua redação por, aproximadamente de anos. Posteriormente, passou às mãos de Januário Carneiro, fundador da Rádio Itatiaia e da TV Vila Rica (atual Band Minas).
Em sua trajetória, contou com jornalistas como Mauro Santayana, Fernando Gabeira, Júnia Marise, Hélio Costa, Sinfrônio Veiga, Chico Pinheiro, Rodrigo Mineiro e Tito Guimarães, entre tantos outros de igual importância, que ajudaram a construir sua reputação de independência e ousadia.
Ao longo das décadas, passou ainda pelas mãos de empresários e líderes políticos como Newton Cardoso, Ibrahim Abi-Ackel e Jorge Carone Filho, enfrentando desafios jurídicos e editoriais que marcaram diferentes fases de sua existência.
Os tempos mudaram, e com eles os formatos e plataformas. O Diário de Minas atravessou crises, transformações e reinvenções, mas nunca perdeu sua essência: ser um espaço plural, atento aos anseios de uma sociedade participativa e soberana.
O DM conta com um Conselho Editorial ativo e presente, sob a presidência do doutor Paulo Roberto Cardoso, e com a colaboração de mais de oitenta colunistas, cronistas e comentaristas, que geram conteúdos genuínos de alta relevância para a nossa sociedade em transformação, em todos os seus segmentos.
Hoje, sob a direção do empresário, jornalista e escritor Soelson Barbosa Araújo, à frente da Editora Edimig – Editora Minas Gerais, o jornal reafirma sua missão histórica. Sintonizado com o mundo digital e integrado às redes sociais, mantém viva a tradição mineira de equilíbrio, responsabilidade e independência editorial — olhando para o futuro com a mesma coragem de 1866.
*Soelson B. Araújo é empresário, jornalista, escritor e CEO do Diário de Minas.
Pesquisa e texto/resumo: Soelson B. Araújo
Fontes: Hemeroteca Mineira, Arquivo Público de Minas Gerais e Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais.
Saiba mais: https://bndigital.bn.gov.br/artigos/diario-de-minas/

