Créditos: Divulgação
06-02-2026 às 10h21
Direto da Redação*
Ampliar o acesso da sociedade ao conhecimento sobre tecnologia nuclear, ciência e inovação é uma tarefa de suma importância que a Marinha do Brasil (MB) e o Museu Catavento, de São Paulo (SP) estão fazendo em parceria, com o intuito de popularizar mesmo essas ações. No caso da MB, as iniciativas estão a cargo da Diretoria-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico.
Para que se possa ter uma ideia do acerto dessa parceria, o Diretor-Executivo do Museu Catavento, Jacques Kann, enfatizou o recorde histórico de frequência, no ano de 2025, com 820 mil visitantes, resultado esse que expõe o museu como um dos três mais visitados do Brasil. Diariamente, no período letivo, o museu recebe cerca de 40 ônibus com estudantes, em busca de informações sobre ciência e tecnologia, matérias lá apresentadas de maneira lúdica, bastante acessível e estimuladora para quem está na escola.
Convém informar que tudo isso faz parte de uma estratégia institucional de divulgação científica para reforçar o compromisso brasileiro com a popularização do uso pacífico da energia nuclear. Na cerimônia de assinatura da parceria entre a MB e o museu participação autoridades civis e militares e foi prestado tributo ao Patrono da Ciência, Tecnologia e Inovação da Marinha, Almirante Álvaro Alberto da Motta e Silva.
Na ocasião do evento, o público obteve mais informações sobre o Programa Nuclear da Marinha (PNM) e o Programa de Desenvolvimento de Submarinos da Marinha (PROSUB). Participou também da experiência imersiva na “Exposição Submarino”, exposta no museu desde 2009. A exposição leva o visitante a fazer uma viagem simulada ao fundo do mar e ao mesmo tempo divulga conceitos de biologia marinha, oceanografia e preservação ambiental.
No mesmo espaço interativo, o público teve a oportunidade de explorar parte do acervo pessoal doado pela família do homenageado, e visualizou detalhes tecnológicos em maquetes do reator nuclear e do primeiro Submarino Nuclear Convencionalmente Armado (SNCA) brasileiro, que receberá o nome do grande militar pesquisador.
Ao agradecer a direção do museu por incluir em seu acervo informações sobre o PROSUB, o PNM, a ciência nuclear e a trajetória do Almirante Álvaro Alberto, o Almirante de Esquadra Rabello enfatizou o quanto é importante tornar acessíveis esses temas pauta para o imaginário dos visitantes, sempre tendo em vista o uso pacífico da energia nuclear porque é essencial para o desenvolvimento do País e a humanidade, hoje com cerca de 9 bilhões de almas.
“Esse convênio” – explicou o Almirante de Esquadra – “representa mais do que uma parceria institucional: simboliza o compromisso comum com a divulgação científica, a preservação da memória nacional e a formação das futuras gerações. Permite levar à sociedade o legado de Álvaro Alberto e evidenciar a relevância da área nuclear com fins pacíficos, das Ciências do Mar e da Amazônia Azul”.
Vahan Agopyan, secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, elogiou a trajetória do Almirante Álvaro Alberto expressa no prêmio do mesmo nome, tida como a mais elevada condecoração concedida a um cientista brasileiro e também símbolo do reconhecimento à excelência científica nacional.
“O Almirante Álvaro Alberto foi, sem dúvida, um visionário”, disse o secretário. E emendou: “Mais do que isso, foi alguém que soube aliar visão, coragem, honestidade de propósito e capacidade de articulação. Essas virtudes, quando somadas ao trabalho colaborativo entre instituições e pessoas comprometidas com o País, são capazes de produzir resultados duradouros”.
Dentro da programação, a historiadora Doutora Camila Martins Cardoso, do Centro Interunidades de História da Ciência da Universidade de São Paulo (USP), autora da tese Arquivo Álvaro Alberto: vida e obra através dos documentos, fez uma apresentação sobre o seu trabalho.
“O Almirante Álvaro Alberto da Motta e Silva, nascido em 1889” – disse ela – “trouxe importantes contribuições para o nosso País. Foi químico especializado em explosivos, professor da Escola Naval, presidiu a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e representou o Brasil na Comissão de Energia Atômica do Conselho de Segurança da ONU, em 1946 e 1947.É também reconhecido como um dos idealizadores de instituições fundamentais, como o Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), além de ter sido o primeiro presidente do Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq), graças aos seus esforços na articulação de políticas científicas, cujo trabalho foi determinante para a formulação das políticas nucleares brasileiras”.
Por seu turno, o educador Diego Pimentel Ferreira dos Santos, que bem conhece a trajetória do Almirante Álvaro Alberto e sugeriu aos jovens inspirarem na história desse grande homem. E concluiu: “O Brasil precisa de mais Álvaros Albertos. Ele foi o criador do CNPq. As bolsas do CNPq são as melhores e ajudam muitos estudantes e pesquisadores. Tenho muita admiração e gratidão por tudo o que ele fez”.
*Com Agência Marinha de Notícias

