Carnaval - créditos: Alberto Sena
09-02-2026 às 09h26
Alberto Sena*
Impressionante foi a passagem do bloco “Mama na Vaca”, originário da Vaquinha da Rua Leopoldina, pela Rua Professor Aníbal de Matos, no Bairro Santo Antônio. Aquela quantidade enorme de homens e mulheres que eram uma só massa humana, colorida e pouco vestida, não andava se arrastava mesmo, pelo asfalto. A banda batucava marchinhas antigas do nosso carnaval. Interessante foi ver uma grande quantidade de mulheres na banda. Na verdade, duas bandas que formavam uma boa sintonia.
É de impressionar, sim, imaginar o que se passava em cada uma daquelas pessoas, que deram mais vigor ainda ao bloco “Mama na Vaca” e a fim de mais consolidar a tradição, considerando que a “Vaquinha da Rua Leopoldina” já foi tombada como patrimônio cultural.
Da janela do meu prédio, eu vi os mais diversos corpos de mulheres e de homens, cada um se expondo como não fazem no dia a dia, mas naquela manhã e tarde do dia 7 de fevereiro de 2026, cada um tinha os seus motivos para tirar a roupa, uns mais e outros mais ainda. Tive a impressão de que todos ali estavam como se estivessem no divã do psicólogo ou do psiquiatra.
Vi mulheres que no dia a dia devem esconder o corpo dentro de panos por algum motivo, mas no bloco Mama na Vaca não estavam nem aí, como quem diz eu sou assim e ninguém tem nada a ver com isso. Achei tudo que vi como gesto espontâneo de quem certamente passa a semana cheio de compromissos e pôde relaxar.
O certo é que em meio àquela explosão humana, aparentemente contida, tudo deve ter transcorrido sem problemas, embora todos ali estivessem de cara cheia. Quem chegou desacompanhado logo arranjou companhia. É o que se imagina.
Mas, o mais impressionante mesmo, e deixei isto para o final do texto, foi a agilidade e a competência dos (invisíveis) garis responsáveis pela retirada do lixo deixado na rua. Merecem eles todos os elogios devido a eficiência. Recolheram vários sacos plásticos e deixaram a Rua Professor Aníbal de Matos como se estivesse lavada dando a impressão de nada ter acontecido.
O trabalho dos garis é de muita importância e particularmente gosto de reconhecer isso sempre porque de uma maneira quase geral eles são quase invisíveis para muita gente. São profissionais como qualquer outro e isso ficou bem claro, mais uma vez, porque fiz questão de observar a eficiência deles. Nota dez, senão 100.
Mas a faixa da BHTrans, atravessada no alto da rua, anunciando “Carnaval 2026 – Proibido estacionar” continua lá estirada amarrada em um poste de cimento e no cano da instalação elétrica de um imóvel.
*Alberto Sena é jornalista e escritor

