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15-02-2026 às 10h14
Tito Guimarães Filho*
A Cláudia que Josafá e Marcos reencontraram na conferência não era apenas uma acadêmica brilhante. Era uma mulher que parecia ter pressa de viver todas as vidas que a prisão tentou lhe roubar.
Se nos anos 70, o corpo dela era um território de dor e resistência política, na maturidade ele se tornara um campo de liberdade absoluta, quase anárquica.
Bolívar, o marido oficial, era a face visível de sua estabilidade institucional, o pilar que sustentava a “doutora Cláudia”. Mas por trás daquela fachada de rigor intelectual e das discussões sobre o futuro da universidade, havia uma Cláudia subterrânea, que não se contentava com o amor protocolar.

Para ela, a “unidade” não era exclusividade. Era como se cada trepada fosse um ato de rebeldia contra o silêncio das celas de três metros quadrados. O sexo não era lateral à política; era a política em seu estado mais visceral. Ela não pertencia a Bolívar, nem a Josafá, nem a Marcos. Ela pertencia ao seu próprio apetite, uma fome que desafiava a lógica daquela “aldeia” onde todos se conheciam, mas ninguém se via de verdade.
Foi nesse hiato entre a teoria acadêmica e o suor dos lençóis que ela começou a me contar, entre um cigarro e outro, como a sua liberdade se manifestava na prática. Sem aspas, sem pudores, como quem descreve uma expropriação necessária.
Para focar na Universidade dentro dessa narrativa, é preciso entendê-la não apenas como um cenário geográfico, mas como um projeto de utopia. No texto, a universidade nasce do “amor que constrói” e do “sonho de sociedade” compartilhado por Cláudia, Josafá e Marcos.
*Tito Guimarães Filho é jornalista, escritor e diretor de Redação do DM

