Carnaval, alegria do povo - créditos: divulgação
07-02-2026 às 12h18
Alberto Sena
Confesso, há muito tempo não sou de Carnaval, o do Rei Momo antigo. Mas já até “pulei” Carnaval nos tempos de antanho, quando o Automóvel Clube, lá de Montes Claros, no Norte de Minas, era o centro do mundo, em mil novecentos e borrachinha.
Depois que me mudei para Belo Horizonte, na década de 1970, nunca mais brinquei Carnaval e passei por aquela fase de gostar dos dias carnavalescos longe, no mato, em algum acampamento como o da Associação Cristã de Moços (ACM), lá da Serra do Cipó, ótimo lugar.
Atualmente, só vejo a folia e até aprecio muito ver. Nos dias de carnaval as pessoas demonstram mais alegria, essa alegria que vem de dentro provocada pela energia vinda de fora.
Gosto de ver o comportamento humano. É cômodo fazer isso da janela do apartamento, por exemplo, hoje, sábado, 7, a turma do bloco “Mama na Vaca” vai passar na minha rua, como tem acontecido nos últimos anos. É um espetáculo colorido e de corpos de todo tipo de compleição física e minimamente trajados.
Uma faixa já foi atravessada na rua, pelo alto, próximo do meu prédio, desde quinta-feira. E outros sinais estão por todos os cantos por onde os foliões irão passar, inclusive pela Praça Cairo, Zona Sul da capital, bairro Santo Antônio. A praça foi cercada de todo jeito com gradis metálicos para evitar que estraguem os jardins, providência necessária devido aos exageros de alguns.
Mas quero voltar ao bloco “Mama na Vaca”, epíteto bem interessante, e fica mais ainda quando a gente sabe, o honroso nome tem a ver com a Vaquinha de concreto que fica toda exibida na Rua Leopoldina, quase esquina de Avenida do Contorno, no Bairro Santo Antônio.

Ela, a Vaquinha, só não dá leite, mas tem a simpatia de todos que por ela passam. Periodicamente, ela muda de pele – ou mudam a pele dela – cada uma mais bonita do que a outra. Só não deve montar na bichinha porque ela pode ter problema nas pernas, por causa da idade, coitada. Já nasceu vaca adulta em 1981.
A Vaquinha da Rua Leopoldina já se tornou, além de bloco carnavalesco, um monumento. Foi criada por Marcello Nitsche (Foto), artista brasileiro. Ela é tão celebrada que foi tombada como patrimônio cultural. Só falta mugir e parir.
*Jornalista e escritor

