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03-03-2026 às 16h30
André Aidar*
A escalada do conflito envolvendo o Irã pode produzir reflexos diretos no agronegócio brasileiro, especialmente por meio da alta do petróleo, da volatilidade cambial e da instabilidade no comércio internacional de fertilizantes. A avaliação é de André Aidar, sócio e head de Direito do Agronegócio no Lara Martins Advogados, doutor e mestre em Agronegócio (UFG), especialista em Análise Econômica do Direito (Universidade de Lisboa), em Direito Empresarial (FGV).
Segundo ele, o primeiro impacto tende a vir pelo encarecimento da energia. “A alta do petróleo afeta diretamente o custo do diesel utilizado nas operações agrícolas e no transporte interno, além de pressionar os fretes marítimos. Como o Brasil depende de exportações de longa distância, qualquer aumento no combustível impacta a competitividade do produtor”, afirma.
No caso dos fertilizantes, o risco decorre da instabilidade geopolítica. Mesmo quando o Irã não é fornecedor direto do Brasil, tensões na região costumam afetar preços globais e rotas comerciais, elevando custos e ampliando a volatilidade do mercado de insumos.
A pressão sobre o câmbio também entra na equação. A valorização do dólar tende a favorecer exportações no curto prazo, mas encarece insumos importados, o que pode reduzir margens nas safras seguintes.
Para exportadores de soja, milho e proteínas, o principal risco imediato não é necessariamente uma ruptura do comércio internacional, mas o aumento dos custos logísticos e da oscilação de preços. “Não é comum que haja revisão automática de contratos apenas por instabilidade geopolítica, mas cenários mais graves, como interrupções logísticas relevantes ou disparadas abruptas de custos, podem gerar discussões sobre reequilíbrio contratual ou alegações de força maior”, explica Aidar.
Nesse contexto, a gestão jurídica e financeira ganha protagonismo. Empresas tendem a reforçar mecanismos de proteção cambial, revisar cláusulas sobre eventos extraordinários e estruturar ajustes de preço mais claros, buscando reduzir a exposição a choques externos.
Para o especialista, o impacto mais imediato é o aumento da volatilidade, e isso, por si só, já exige maior planejamento estratégico do agro brasileiro diante de um cenário geopolítico instável.
Fonte: André Aidar é sócio e Head de Direito do Agronegócio no Lara Martins Advogados, é professor de Direito Comercial e Direito Processual Civil, doutor e mestre em Agronegócio (UFG), especialista em Análise Econômica do Direito (Universidade de Lisboa), em Direito Empresarial (FGV) e em Direito Processual Civil (UFU).

