Produtos eletrônicos importados - créditos: divulgação
24-02-2026 às 10h26
Direto da Redação
O governo brasileiro anunciou um aumento nas alíquotas do imposto de importação que incide sobre bens de tecnologia e eletrônicos importados, em uma medida que visa proteger a indústria nacional e ajustar a competitividade frente à oferta crescente de produtos estrangeiros no mercado interno.
A Resolução nº 852/2026, aprovada pelo Comitê-Executivo de Gestão (GECEX) e publicada em fevereiro de 2026, reajustou a tarifa de importação de mais de 1.000 produtos, incluindo smartphones, computadores, equipamentos de telecomunicações, componentes eletrônicos e maquinário industrial.
O que muda:
Produtos com tarifa inferior a 7,2% passam a pagar 7,2%;
Itens com tarifas entre 7,2% e 12,6% sobem para 12,6%;
Classificações que já tinham alíquota de 12,6% ou mais foram elevadas para 20%.
Essas mudanças começam a vigorar gradualmente a partir de março de 2026.
Segundo o Ministério da Fazenda, a medida se justifica pelo crescimento das importações de bens de capital e tecnologia, que acumularam um avanço de mais de 30% desde 2022 e representam cerca de 45% do consumo interno nesse segmento. Ajustar as tarifas — argumenta o governo — seria uma forma de equilibrar a concorrência com produtos nacionais e estimular investimentos locais.
Especialistas e representantes do setor tecnológico alertam que o aumento pode pressionar os preços ao consumidor final e encarecer a aquisição de equipamentos eletrônicos, especialmente em segmentos que dependem de parte ou da totalidade de componentes importados. Há também preocupação de que custos mais altos possam desestimular investimentos em setores como data centers e tecnologia da informação.
Para empresas que operam com importação de tecnologia, a elevação das tarifas representa um aumento de custos logísticos e tributários, o que pode ser repassado aos preços finais ou reduzir margens de lucro.
A medida ocorre em meio a um cenário de tensões comerciais globais e revisões de políticas tarifárias em vários países. Enquanto algumas nações reduzem barreiras para atrair importações, o Brasil adota uma postura mais protetiva em setores estratégicos, alinhando-se a políticas de incentivo à indústria interna.

