Créditos: Reprodução
09-02-2026 às 14h11
Eduarda Pereira*
O contexto do Carnaval, caracterizado por alta circulação de pessoas e intensa atividade digital, cria um ambiente propício para fraudes. Nesse período, criminosos exploram a distração dos usuários e o uso frequente de dispositivos móveis para atacar o elemento central da experiência digital que é a identidade. Golpes envolvendo QR Codes falsos, links maliciosos e solicitações indevidas de documentos ou selfies se tornam mais frequentes.
Um dos golpes mais comuns neste período envolve fraudes em hospedagem e aluguel por temporada. Com a alta demanda e os preços elevados em grandes cidades, criminosos anunciam imóveis inexistentes usando fotos copiadas de sites legítimos e valores “bons demais para ser verdade”. Também é frequente o desvio de pagamentos para fora de plataformas oficiais, quando o suposto anfitrião alega problemas técnicos e solicita transferências via links externos, Pix, WhatsApp ou PayPal, prática que deve sempre ser evitada.
Outro tipo de fraude recorrente envolve ingressos para desfiles no Sambódromo e festas privadas. Golpistas vendem ingressos físicos falsos ou já utilizados próximos aos eventos e criam sites de revenda que aparentam ser oficiais. Em 2026, muitos eventos adotaram ingressos digitais dinâmicos justamente para dificultar clonagens, capturas de tela e reutilização, o que torna ainda mais importante verificar vendedores autorizados.
Além desses golpes mais conhecidos, cresce rapidamente o uso de inteligência artificial em ataques de engenharia social. Criminosos utilizam áudios e vídeos coletados em redes sociais para criar mensagens falsas extremamente realistas, simulando amigos ou familiares que teriam sido roubados durante o Carnaval e solicitam transferências urgentes. Hoje, fraudes por personificação já representam mais de 85% das tentativas de fraude de identidade. Pedidos de urgência extrema, mudanças bruscas de comportamento e pequenos sinais artificiais em vídeos ou áudios podem indicar fraude.
Proteger a identidade digital deve receber a mesma atenção que se dá à carteira ou ao próprio celular. Medidas simples reduzem significativamente os riscos, como nunca realizar pagamentos fora de aplicativos oficiais, desconfiar de ofertas muito abaixo do preço de mercado, evitar clicar em links de origem desconhecida, usar senhas fortes e únicas, ativar a autenticação em dois fatores, considerar o uso de gerenciadores de senhas, limitar valores em aplicativos de pagamento e habilitar soluções biométricas para acessos recorrentes e transações.
À medida que as interações digitais se tornam centrais no dia a dia, especialmente durante grandes eventos como o Carnaval, confiança e segurança precisam caminhar juntas. A proteção da identidade digital deixou de ser um tema técnico ou restrito para as empresas e se consolidou como uma linha de defesa essencial para consumidores, negócios e todo o ecossistema digital.

