Créditos: Divulgação
06-02-2026 às 08h33
Renata Nalim*
A automação da gestão fiscal evitou perdas de R$ 280 milhões em empresas brasileiras no último ano, segundo levantamento da V360, principal plataforma de automação de pagamentos do país. O dado considera erros evitados em processos de contas a pagar, multas por divergências tributárias, retrabalho operacional e bloqueios de faturamento que poderiam impactar diretamente o fluxo de caixa das organizações.
A análise aponta que os dados de operações fiscais de empresas de médio e grande porte que utilizam a plataforma, com destaque para os setores de saúde, papel e celulose, mineração, energia e indústria. Os números revelam que gargalos na gestão fiscal, como processos manuais, falta de integração entre sistemas e validação inadequada de notas fiscais, representam riscos financeiros significativos que vão além das multas formais.
“O impacto da má gestão fiscal não aparece apenas em sanções. Ele está no tempo perdido com retrabalho, nos pagamentos duplicados, nas notas bloqueadas que travam operações inteiras e na incapacidade de prever com precisão o fluxo de caixa. Quando você automatiza e estrutura esse processo, o ganho é direto na linha de resultado”, afirma Izaias Miguel, Co-CEO da V360.
Segundo a empresa, os principais gargalos identificados incluem a dependência de processos manuais para recepção e conferência de notas fiscais, ausência de validação automática de documentos eletrônicos, falta de integração entre ERPs e sistemas de gestão fiscal, e dificuldade na conciliação de tributos e manifestação de duplicatas escriturais.
Setores estratégicos avançam na automação fiscal
O movimento de estruturação da gestão fiscal tem ganhado força em diferentes setores da economia brasileira. No setor de saúde, a Dasa, líder em medicina diagnóstica no Brasil e uma das maiores redes de saúde do mundo com mais de 40 marcas de laboratórios e centros médicos, enfrentava situações críticas como corte de luz e internet em unidades de atendimento, impactando diretamente pacientes. A empresa reduziu divergências fiscais de 73% para 16%, obteve visibilidade de R$ 3,6 milhões em notas canceladas em apenas 2 meses e eliminou completamente os cortes de serviços essenciais desde a implementação da automação. O processamento de documentos com múltiplos rateios, que antes levava 30 minutos, passou para apenas 1 minuto, permitindo que 100% da equipe fosse realocada para tarefas estratégicas..
Já a Raízen, joint venture entre Shell e Cosan que atua na produção de etanol, açúcar e energia renovável, além de operar postos com a bandeira Shell, conseguiu reduzir em 95% o lead time de processamento de documentos fiscais. A empresa, que processava cerca de 26 mil notas por mês de mais de 8.200 fornecedores, passou de 35 dias para apenas 2 dias no ciclo completo de pagamento, gerando um retorno líquido de R$ 2,7 milhões.
“O que observamos é um padrão entre empresas de diferentes setores: processos descentralizados, falta de visibilidade sobre o status fiscal e dificuldade em escalar a operação sem aumentar proporcionalmente a equipe. A automação resolve isso ao mesmo tempo em que reduz riscos financeiros concretos”, explica Miguel.
Reforma Tributária pressiona empresas a acelerar adequação
A necessidade de estruturar a gestão fiscal ganhou urgência com a proximidade da Reforma Tributária, que entra em vigor em janeiro de 2026 e exige adaptações nos processos de emissão, recepção e conciliação de notas fiscais. Segundo a pesquisa anterior da V360, 72% das empresas brasileiras ainda não estão preparadas para as mudanças, o que pode gerar bloqueios operacionais e impactos financeiros logo no início do ano fiscal.
“A Reforma Tributária não é só uma questão de compliance. Ela vai expor fragilidades que já existem na gestão fiscal das empresas. Quem não estruturar processos agora vai enfrentar paralisações, multas e perda de competitividade. O custo de não se preparar pode ser muito maior do que o investimento necessário para se adequar”, alerta o executivo.
A V360 atende mais de 355 empresas de médio e grande porte no Brasil, majoritariamente nos setores de varejo, agronegócio, construção civil, manufatura, mineração e tecnologia. A plataforma automatiza o processo de pagamento a fornecedores, desde a recepção e validação de notas fiscais até a integração com sistemas financeiros e liberação de pagamentos.

