Garis de BH em greve - créditos: divulgação
19-01-2026 às 18h14
Direto da Redação
Nesta segunda-feira, 19 de janeiro de 2026, dezenas de garis — profissionais responsáveis pela coleta de lixo domiciliar em Belo Horizonte — cruzaram os braços e paralisaram as atividades em diversas áreas da cidade, incluindo as regionais Nordeste, Noroeste e Leste. A mobilização começou por volta das 6 h da manhã, com os trabalhadores reunidos em frente à sede da empresa Sistemma Serviços Urbanos, localizada às margens do Anel Rodoviário Celso Mello Azevedo, no bairro São Gabriel, onde estão baseando seu protesto por melhores condições de trabalho e cumprimento de direitos que dizem estar sendo descumpridos pela prestadora de serviços.
Os garis levantaram uma série de queixas relacionadas tanto à infraestrutura quanto aos direitos trabalhistas. Entre as principais reclamações estão a falta de caminhões suficientes e manutenção deficiente dos veículos utilizados na coleta, o que prejudica a execução regular do serviço e expõe os trabalhadores a riscos desnecessários. Os profissionais relatam ainda jornadas exaustivas, ausência de equipamentos de proteção individual em quantidade e qualidade adequadas, falta de plano de saúde — benefício que, segundo representantes da categoria, está suspenso há anos — e o atraso ou ausência de depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), o que configura, para eles, um desrespeito contínuo às obrigações trabalhistas básicas.
Moradores de bairros como Coração Eucarístico, Nazaré e São Gabriel já sentem os efeitos da paralisação, com lixo acumulado nas calçadas e ruas após o horário habitual da coleta não ter sido cumprido. Alguns residentes manifestaram compreensão diante da situação, afirmando que os trabalhadores muitas vezes só são ouvidos quando recorrem a esse tipo de ação, apesar do transtorno gerado à população.
A mobilização dos garis é organizada de forma autônoma pelos trabalhadores, que permanecem em frente à sede da empresa aguardando um posicionamento da direção da Sistemma ou uma intervenção mais decisiva da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) da Prefeitura de Belo Horizonte. A SLU, em nota, declarou que a administração municipal está “adimplente com todas as suas obrigações contratuais junto à empresa” e que acompanha a situação, mas não detalhou medidas específicas para mediar o impasse ou garantir a retomada imediata da coleta. Até o momento, a prestadora de serviços não se manifestou oficialmente sobre as reivindicações ou sobre a possibilidade de iniciar negociações formais com os trabalhadores.
Os garis afirmam que manterão a paralisação até que todas as suas reivindicações sejam atendidas, embora não haja, até o momento, uma perspectiva clara de quando isso pode ocorrer. A continuidade da greve pode agravar ainda mais a situação de acúmulo de resíduos nas vias públicas, elevando preocupações de moradores e comerciantes quanto à saúde pública e à limpeza urbana nas próximas horas e dias.
O movimento acontece em um contexto mais amplo de discussão sobre a valorização e proteção dos trabalhadores de limpeza urbana em Belo Horizonte, que nos últimos meses têm sido pauta em audiências públicas e debates na Câmara Municipal, em parte em resposta a episódios de violência e negligência enfrentados pela categoria e à crescente demanda por políticas que garantam segurança e dignidade nesses serviços essenciais.

