Créditos: Divulgação
23-03-2026 às 17h34
Erika Ricci*
A perda da patente do Ozempic traz um marco relevante para o mercado financeiro porque muda a lógica de ganhos em um dos segmentos mais lucrativos da indústria farmacêutica. Quando a fórmula deixa de ser exclusiva, o valor que antes ficava concentrado em uma única empresa passa a ser dividido entre diferentes companhias, o que transforma a forma como investidores analisam oportunidades e riscos no setor.
Durante o período de exclusividade, a Novo Nordisk concentrou receitas elevadas com o produto, o que sustentou crescimento e valorização de suas ações. Agora, com a abertura para os concorrentes, a expectativa do mercado começa a se ajustar e parte desse valor deixa de estar concentrada em uma única companhia e passa a ser distribuída entre novos participantes.
“A quebra da patente reorganiza o fluxo de dinheiro dentro do setor. O investidor deixa de olhar apenas para quem domina o mercado e passa a buscar empresas que têm capacidade de ganhar escala rapidamente com versões semelhantes”, afirma Adriana Ricci, especialista em mercado financeiro com mais de 25 anos de atuação e expertise.
Esse tipo de movimento costuma provocar uma rotação de capital. Recursos que antes estavam direcionados para grandes farmacêuticas inovadoras começam a migrar para empresas com perfil de produção em larga escala, principalmente fabricantes de genéricos. Na B3, esse cenário coloca em evidência companhias como Hypera, EMS, Eurofarma e outras farmacêuticas nacionais com histórico de atuação em genéricos e distribuição, empresas que tendem a ser acompanhadas de perto pelo mercado e podem se beneficiar da entrada em um segmento que movimenta bilhões em todo o mundo.
“A partir desse momento, o mercado começa a precificar quem está preparado para ocupar esse espaço. Empresas eficientes em produção e distribuição ganham protagonismo, enquanto aquelas que dependiam da exclusividade precisam mostrar novos caminhos de crescimento”, explica a fundadora e head de Operações da SHS Investimentos.
A forma como o setor é avaliado também muda. Empresas que antes operavam com margens altas, sustentadas pela exclusividade, passam a enfrentar mais pressão, enquanto fabricantes de genéricos ganham espaço e atraem o interesse do mercado. Esse novo cenário leva investidores a revisarem projeções e reequilibrarem suas apostas no curto e médio prazo.
A perda da patente também reduz a previsibilidade de receita e força uma reação rápida das grandes farmacêuticas, que aceleram o desenvolvimento de novos medicamentos para manter o crescimento. Esse movimento mantém o setor em expansão e abre novas oportunidades de investimento, tanto em inovação quanto em estratégias de aquisição.
“Para o investidor, a quebra de patente do Ozempic não representa apenas um evento isolado, ela sinaliza uma mudança na distribuição de valor dentro do setor, com impacto direto na escolha de ativos, na alocação de recursos e na forma de analisar o potencial de crescimento das empresas farmacêuticas nos próximos anos”, finaliza Adriana.
Sobre a especialista: Adriana Ricci é especialista em investimentos e tem 25 anos de atuação no mercado financeiro. É fundadora, gestora e head de Operações da SHS Investimentos, empresa que atua no mercado financeiro desde 2008 e atua em São José dos Campos, SP.

