Aço de Minas no Vale do Aço - créditos: Arcelor Mittal
08-02-2026 às 12h40
Direto da Redação
Desde dezembro de 2024, o Diário de Minas, por meio de um artigo assinado pelo diretor-executivo, professor Paulo Roberto Cardoso, presidente da Soamar Minas chamava a atenção para o óbvio, que muitas das vezes precisa ser, sublinhado. “Navios dependem de aço e onde se propõe a fabricá-los necessariamente deverá existir aço, e aço é assunto de Minas Gerais e dos mineiros, cuja base histórica de sua economia é o ferro, o minério, o aço como muito bem nos tem mostrado o jornalista e pesquisador Américo Antunes em suas produções literárias”.
Pelo que se pode depreender do chamado “Conexões MME – Encontro Nacional de Grandes Compradores da Indústria do Petróleo, Gás e Naval no Vale do Aço”, lançado pelo ministro de Minas e Energia, o mineiro Alexandre Silveira, em Ipatinga é um grande sinal de que o Diário de Minas não havia posicionado em vão, afinal o minério de ferro e o aço são produtos da competência dos mineiros.
E por que o Brasil inteiro sabe disso, 500 pessoas do ramo participaram do encontro com o ministro Silveira com representantes do setor metalmecânico, autoridades, deputados estaduais e federais, prefeitos, lideranças empresariais e grandes companhias nacionais.
Parece não pairar dúvida sobre a relevância do encontro, que fez jus ao seu epíteto como espaço estratégico de conexão entre fornecedores e grandes compradores dos setores de petróleo, gás natural e indústria naval.
Aproximar toda a capacidade produtiva do Vale do Aço diretamente às demandas de grandes empresas nacionais, por meio de uma conexão criadora de oportunidades concretas de negócios, geração de receita, novos investimentos e empregos. Sem falar, mas falando, do fato de essa conexão estimular a inovação industrial.
Em síntese, “O Conexões MME” chega com o poder de catapultar o setor metalmecânico do Vale do Aço, maneira de conectar as demandas do petróleo, do gás natural e da indústria naval à imensurável capacidade de produção da tríade Ipatinga, Timóteo, Coronel Fabriciano, municípios que dão respaldo à região do portentoso Vale do Aço, com a geração de encomendas, emprego e desenvolvimento como disse o ministro.
A Diretora Executiva de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia dos Anjos, Diretora Executiva de Exploração e Produção da Petrobras enfatizou a relevância estratégica do Vale do Aço tanto para a companhia e como para o Brasil.
Disse ela: “O Vale do Aço é um berço de fornecedores de alto nível e estratégico para a Petrobras e para o desenvolvimento nacional. Investir em conteúdo local e produzir no Brasil é uma questão de segurança de suprimento e de estabilidade para o futuro. Estamos aqui com nossa equipe de Suprimentos para ampliar ainda mais uma parceria histórica com as empresas da região”.
João Batista Alves, presidente da Regional Vale do Aço da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) ressaltou o papel institucional na articulação entre as indústrias e as grandes cadeias produtivas dizendo: “O Vale do Aço tem capacidade técnica, escala produtiva e mão de obra qualificada para ser protagonista na cadeia de petróleo, gás e naval, e este encontro transforma esse potencial em negócios, investimentos e geração de empregos”.
Ponto a ressaltar é a sintonia das políticas do Governo Federal com vistas à retomada da indústria naval e expansão do setor de petróleo e gás, tendo à frente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. São iniciativas como o Programa de Renovação da Frota Naval do Sistema Petrobras, o Programa Mar Aberto, com construção de novas embarcações, e a Política de Depreciação Acelerada, que reduziu para dois o prazo antes de 20 anos de abatimento do custo de navios-tanque, condicionada ao uso de conteúdo local.
O potencial do Vale do Aço tem o reconhecimento nacional devido a força produtora de aço e da sua indústria metalmecânica, que o tornam um dos polos de maior preparo para receber investimentos e crescer em participação estratégica nessas cadeias produtivas.
Naquele dezembro de 2024, Paulo Roberto Cardoso já dizia em seu artigo, que, “o Diário de Minas e a Soamar em Minas não se omitirão em levantar a bandeira da conexão da siderurgia mineira com a retomada do polo naval no Rio de Janeiro e em Vitória no Espírito Santo. Esta é uma bandeira digna das lutas tradicionais de Minas Gerais e dos mineiros”.
O “Conexões MME” recém-lançado em Ipatinga é então a prova material de que o óbvio precisa ser mostrado para ser visto.

