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09-04-2026 às 14h17
Carolina Lara*
Mais de 72 milhões de brasileiros estavam inadimplentes no início de 2025, segundo dados da Serasa Experian, enquanto o Brasil segue abaixo da média internacional em alfabetização financeira, de acordo com levantamento da OCDE. O cenário revela que a educação financeira ainda não faz parte da formação da maioria das famílias e costuma aparecer apenas quando o problema já está instalado.
Para Ricardo Hiraki, sócio-fundador da Plano e especialista em educação financeira, esse atraso tem impacto direto na forma como as pessoas lidam com dinheiro. “A maioria aprende depois de errar. Quando a educação chega tarde, ela deixa de ser prevenção e vira tentativa de correção”, afirma.
A percepção aparece no comportamento cotidiano dos brasileiros. “Ganho bem, mas nunca sei para onde o dinheiro vai” é uma das frases mais recorrentes entre pessoas que buscam orientação financeira, segundo o especialista . Para ele, o problema está menos na renda e mais na falta de organização. “Organização financeira não é sobre complexidade. É sobre entender o fluxo do dinheiro e decidir melhor a partir disso”, diz.
O impacto não se restringe às famílias. Levantamentos de consultorias como a PwC mostram que problemas financeiros estão entre as principais causas de estresse entre trabalhadores e afetam diretamente produtividade e engajamento.
Na prática, empresas já começam a incorporar programas de educação financeira como estratégia para reduzir absenteísmo, melhorar desempenho e diminuir riscos relacionados a endividamento de colaboradores. “Quando o colaborador está pressionado financeiramente, isso se reflete no trabalho. Ignorar isso é ignorar um fator que impacta resultado”, afirma.
A adoção dessas iniciativas, no entanto, exige critério. Segundo ele, não basta contratar soluções pontuais. “Educação financeira não funciona como evento isolado. Precisa de continuidade, acompanhamento e adaptação à realidade de quem participa”, explica. A escolha de fornecedores deve considerar metodologia, histórico de resultados e capacidade de personalização.
O especialista aponta cinco medidas para organizar a vida financeira e evitar prejuízos nas famílias e empresas
Antes de implementar qualquer estratégia, especialistas recomendam medidas práticas que ajudam a organizar a vida financeira e evitar erros comuns, tanto no ambiente familiar quanto corporativo.
- Mapear com precisão receitas e despesas
O primeiro passo é ter clareza total sobre o fluxo financeiro. Sem esse controle, não é possível identificar excessos ou planejar mudanças. “Quem não sabe para onde o dinheiro vai, não consegue mudar o resultado”, afirma. - Definir metas e acompanhar resultados
Estabelecer objetivos mensais e monitorar sua execução permite corrigir desvios rapidamente. O acompanhamento constante evita que pequenas falhas se transformem em problemas maiores. - Renegociar dívidas e reduzir juros
Trocar dívidas mais caras por alternativas com menor custo financeiro pode liberar parte relevante da renda mensal. Esse movimento costuma ser decisivo no início da reorganização. - Construir reserva de emergência
A recomendação é formar uma reserva equivalente a pelo menos seis meses de despesas. Esse recurso reduz a necessidade de recorrer a crédito em situações imprevistas. “Sem reserva, qualquer imprevisto vira uma crise financeira”, diz. - Simplificar a estrutura financeira
Reduzir parcelamentos, eliminar despesas recorrentes pouco utilizadas e evitar compromissos desnecessários facilita o controle no longo prazo. Quanto mais simples a estrutura, maior a chance de manter disciplina.
Apesar do avanço do tema no ambiente corporativo, a educação financeira ainda não está integrada de forma estrutural à formação dos brasileiros. Para o especialista, a mudança depende de antecipação. “O ideal é que esse conhecimento chegue antes das decisões erradas. Quando isso acontece, o dinheiro deixa de ser um problema e passa a ser uma ferramenta”, afirma.
Sobre Ricardo Hiraki
Ricardo Hiraki é empreendedor e investidor em inovação e no mercado imobiliário. CEO e cofundador da Plano Fintech, é administrador com pós-graduação pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Atuou por quase dez anos em posições de liderança na área financeira no ambiente corporativo, com foco em gestão, controle de custos e apoio à tomada de decisão executiva.

