Créditos: Divulgação
26-03-2026 às 15h19
Alberto Sena*
“Algorocracia”. Grave bem esta palavra nova, que para a geração nascida de celular na mão e tênis nos pés, a palavra tem um significado. E esse significado significa um terror para as gerações anteriores, que, mesmo tendo às costas uma mochila cheia de sabedoria e vivências mil, são vistas como “analfabetas” em matéria de linguagem e a prática tecnológica que, naturalmente, como água a escorrer em vazamento, nem tão lento, vem de escravizar, dia após dia, os bilhões de usuários.
Nesta bendita “viagem de reconhecimento” à Montes Claros, no Norte de Minas, Sílvia e eu ficamos “perdidos” no Centro da cidade. Ela porque não é montes-clarina, mas na minha condição de filho da terra, tinha por obrigação de saber por onde andar. Foi nesse momento que notamos a falta de placas de ruas.
Numa reflexão e pesquisa sobre o tema, indo mais fundo na questão, como um trabalho digno do cabo Zé Idálio dos tempos da Montes Claros de então, chegamos a uma conclusão bem contemporânea.
Pelo que pudemos depreender, nessa investigação, a carência de placas de nomes de ruas não acontece só em Montes Claros, mas em todas as cidades brasileiras desde a criação do “Global Positioning System” (“Sistema de Posicionamento Global”), o famigerado GPS.
É possível que as administrações públicas estejam economizando o gasto com placas de ruas por causa do advento do GPS. E considerando que celular hoje é igual bunda, todos têm; uns até “desbundam”, com mais de um celular, para quê investir em placas e número, ora, com efeito!
Sendo verdadeira essa possibilidade, numa reflexão com o professor Paulo Roberto Cardoso, chegamos à conclusão de que se pode considerar o fenômeno GPS como verdadeiro genocídio, uma imposição escravista generalizada, tão ou mais grave do que a escravidão negra até hoje impune.
E por que isso? O leitor encabulado com a conclusão merece resposta imediata: o mundo digitalizado, o mundo dos algoritimos, o da “algorocracia” totalitária que criou o famigerado GPS, suprimiu das ruas das cidades brasileiras as placas e os números dos prédios e das residências.
Isso é fruto do “encanto”, dessa gente, com o GPS e com as redes sociais. Acabaram por criar um universo virtual paralelo.
E amplos, gigantescos mesmos, seguimentos da população de gerações mais antigas, como a nossa, por exemplo, são totalmente ignoradas e marginalizadas.
Criou-se – e isso é visto com clareza no meio de nós – uma situação, como se todos fossem obrigados a se locomover e a se mover pelo GPS. Aqueles que não são virtualmente integrados, que se danem, morram, percam por aí e não cheguem ao endereço onde precisam ou aonde devem ir.
Essa “algorocracia” dos algoritimos é totalitária, controla todos os aspectos da vida e nos nega qualquer alternativa fora do que nos impõe.
Esse universo digital, esse universo “algorocrático” totalitário, todo esse encantamento com o mundo virtual, nos leva à conclusão de não passar de uma burrice, de uma estupidez, de uma inocência e de uma ingenuidade sem paralelo na história da humanidade.
Veja o leitor: todas essas comunicações telemáticas passam por cabos submarinos pelos mares do mundo. Basta dizer que um “seals brasileiros”, especialista do Grupamento de Mergulhadores de Combate (GRUMEC) da Marinha do Brasil, um marinheiro seu integrante, com uma tesoura especializada, ferramentas e armas apropriadas para chegar aos cabos submarinos, corta-os, e isto feito, o mundo é lançado na mais absoluta escuridão, porque não terá GPS.
Não terá porque as pessoas, tendo substituído números e placas, não conseguirão se locomover. Ficarão totalmente perdidas no espaço e no tempo.
E se não bastasse isto, as comunicações telemáticas, que em um caso desse poderiam ser aventadas, porque são via satélite, basta um míssil russo ou chinês atingir um satélite da Starlink e todo o Brasil, todo o mundo ocidental estará mergulhado em um absoluto apagão, numa noite sem fim, e as pessoas não saberão onde ir nem por onde sair.
Este é o admirável mundo novo do GPS, dos algoritimos, das redes sociais, do mundo virtual ao qual chegamos. Era da “algorocracia”.
Somos felizes?
Somos ingênuos?
Ou ignorantemente encantados?
*Alberto Sena é Jornalista

