Pesquisa mostra situação econômica das famílias de BH - créditos: divulgação
12-02-2026 às 15h18
Wagner Liberato*
De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), analisada pelo Núcleo de Pesquisa e Inteligência da Fecomércio MG e aplicada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) em Belo Horizonte, o nível de endividamento das famílias em janeiro subiu 1,4 ponto percentual ficando em 89,0%. As famílias com contas em atraso somaram 64,7% em janeiro o que representa queda de 0,1% na comparação mensal.
O número de consumidores que não terão condições de quitar suas dívidas somou 28,6%, apresentando um crescimento de 1,4 p.p. em relação ao mês de dezembro. Conforme 39,0% dos consumidores, eles se consideram pouco endividados.
Segundo a PEIC, o principal compromisso financeiro dos consumidores da capital é o cartão de crédito. Em janeiro, 96,3% se comprometeram com esse tipo de dívida, sendo que as famílias que ganham 10 ou mais salários-mínimos as que mais se endividaram no cartão: 99,2%.
A parcela de famílias com algum compromisso financeiro em atraso chega a 64,7% em janeiro, o que representa uma queda de 0,1 p.p abaixo de dezembro. A inadimplência é 18,0% maior em famílias com renda igual ou inferior a dez salários-mínimos, atingindo 67,3% delas; entre as de maior renda, o atraso no pagamento das dívidas atinge 49,3%. Entre os endividados, 72,7% ainda não conseguiram honrar seus compromissos e estão com dívidas em atraso.
Entre as famílias que não terão condições de quitar as dívidas, destacam-se aquelas com renda igual ou inferior a dez salários-mínimos: 31,0%. Entre as de maior renda, o percentual é de 15,9%. Entre os consumidores com dívidas atrasadas, 44,2% avaliaram que não teriam condições de honrar com os compromissos financeiros no mês seguinte.
Entre as famílias com contas pendentes, 48,0% afirmam que essas contas ultrapassam 90 dias, aumento de 1,7 p.p. em relação a dezembro. As dívidas estão atrasadas, em média, há 63,2 dias, mostra a pesquisa. Para 79,8% das famílias os compromissos são por período igual ou superior a 90 dias. O tempo médio de comprometimento da renda é de 8,1 meses.
Para 26,9% das famílias, as dívidas comprometem mais de 50% do orçamento mensal, esse percentual era de 25,3% em dezembro; em média, as dívidas comprometem 33,0% do orçamento familiar.
Gabriela Martins, economista da Fecomércio MG, ressalta que apesar do leve recuo no nível de famílias com contas em atraso no mês de janeiro (inadimplentes), o cenário continua sendo muito desafiador para a capital mineira. “Atualmente, apesar do nível de endividamento entre as famílias estar muito alto, o que pode acarretar o aumento da cautela do consumidor e, consequentemente, a redução do consumo, o que realmente tem nos preocupado é o nível alto de famílias com contas em atraso e o aumento, mês após mês, das famílias que não terão condições de pagar suas contas em atraso. Quando observamos que quase metade dessas dívidas já ultrapassa 90 dias e que mais de um quarto das famílias compromete acima de 50% da renda mensal com obrigações financeiras, percebemos um quadro de forte restrição orçamentária, especialmente entre as famílias de menor renda. Esse contexto tende a limitar o consumo nos próximos meses, pressionar o comércio e exigir maior planejamento financeiro por parte dos consumidores, principalmente em um cenário de encarecimento do custo do crédito”, explica Martins.
Sobre a Fecomércio MG
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG) é a principal entidade representativa do setor do comércio de bens, serviços e turismo no estado, que abrange mais de 750 mil empresas e 54 sindicatos. Sob a presidência de Nadim Elias Donato Filho, a Fecomércio MG atua como porta-voz das demandas do empresariado, buscando soluções através do diálogo com o governo e a sociedade. Outra importante atribuição da Fecomércio MG é a administração do Serviço Social do Comércio (Sesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) em Minas Gerais. A atuação integrada das três casas fortalece a promoção de serviços que beneficiam comerciários, empresários e a comunidade em geral, a partir de suas diversas unidades distribuídas pelo estado.
Desde 2022, a Federação tem se destacado na agenda pública, promovendo discussões sobre a importância do setor para o desenvolvimento econômico de Minas Gerais. A Fecomércio MG trabalha em estreita colaboração com a Confederação Nacional do Comércio (CNC), presidida por José Roberto Tadros, para defender os interesses do setor em âmbito municipal, estadual e federal. A Federação busca melhores condições tributárias para as empresas e celebra convenções coletivas de trabalho, além de oferecer benefícios que visam o fortalecimento do comércio. Com 87 anos de atuação, a Fecomércio MG é fundamental para transformar a vida dos cidadãos e impulsionar a economia mineira.
*Wagner Liberato é jornalista assessor de comunicação da Fecomércio-MG

