
Na questão da PBH com concessionário de ônibus, a prioridade deve ser os usuários, o povo. | CRÉDITOS: Agência MG
Getting your Trinity Audio player ready...
|
É possível que, se Fuad II pegasse um ônibus no Centro da cidade, no horário de pico, para algum dos bairros mais distantes, alguém cedesse a ele o lugar porque iria reconhecê-lo como prefeito
06/12/2024 às 10h19
Direto da Redação*
O prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman II precisa se desvencilhar desse ranço de que enche de apoio os concessionários de ônibus, em detrimento da atenção devida para com o povo desta terra querida, mas maltratada.
Esse episódio da pretendida isenção às empresas de ônibus do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN), projeto que recebeu 17 votos favoráveis e 23 contrários na Câmara dos Vereadores de BH, não quer dizer que ele esteja tentando favorecer os concessionários. Faz parte, simplesmente, do pacote de bondade dele, afinal, o lado material do Natal está clamando.
Fuad II, na justificativa que enviou aos vereadores, disse que a alíquota do ISSQN (5%) produz uma distorção nos custos e nas receitas do sistema de transporte coletivo da capital.
Se o prefeito estivesse realmente ao lado da população pensaria antes de qualquer coisa em promover tarifa zero. Certamente, uma medida do tipo teria impacto positivo no trânsito da cidade porque muita gente iria deixar o carro em casa para usufruir do pacote de bondade dele.
Mas a qualidade do transporte urbano da capital continua praticamente do mesmo jeito de antes, devendo a gente lembrar que Fuad II e o presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo (MDB), que foi candidato a prefeito e perdeu, os dois bateram boca sobre o assunto e tudo está do mesmo jeito.
Nesse calorão todo, a gente entra em ônibus lotados de ar condicionado e noutro, que não tem o equipamento, o que bem denota a falta de respeito dos concessionários para com os usuários.
Nos horários de pico, os concessionários devem ser obrigados a aumentar o número de veículos para acabar com os ônibus lotados como sardinha numa lata. Eles recebem subsídios e cabe à Prefeitura acompanhar a prática dos acordos feitos com a Municipalidade.
É possível que, se Fuad II pegasse um ônibus no Centro da cidade, no horário de pico, para algum dos bairros mais distantes, alguém cedesse a ele o lugar porque iria reconhecê-lo como prefeito, mas ainda assim teria a oportunidade de, ao vivo e em “tecnicolor”, experimentar o sacrifício dos que dependem diariamente, ida e volta, dos ônibus das linhas de BH e Região Metropolitana.
Só para ilustrar e o leitor sentir o calor do debate na Câmara Municipal, quando se discutia o projeto de Fuad II, a vereadora Fernanda Altoé (Novo), disse que “a prefeitura não apresentou dados sobre a queda de arrecadação no período em que o tributo estava isento e que a nova lei seria uma forma de passar mais recursos para as empresas”.