12-04-2026 as 11h40
Por Soelson Araújo*
No ano passado, publiquei em minhas redes sociais sobre a corrida de empresas dos EUA rumo ao Vale do Jequitinhonha, em busca de terras raras e minerais críticos. Pois bem: elas já estão chegando. https://www.instagram.com/p/DWmqN0EjD-A/?igsh=MTh3YjUzZ25yM2Ztbg==
Estados Unidos e Japão demonstram forte interesse em investir fortemente no Projeto Neves, da Atlas Lithium, no Vale do Jequitinhonha, destacado como estratégico para minerais críticos, apresentando VPL (valor presente líquido) de US$ 539 milhões de dólares, (R$ 2.738.120.000 – dois bilhões, setecentos e trinta e oito milhões e cento e vinte mil reais) e rápido retorno, o que reforça seu papel na transição energética e na produção de baterias para veículos elétricos; inserida em uma agenda para reduzir a dependência da China, a parceria com a Mitsui amplia as perspectivas de financiamento e cooperação internacional, ainda que sem cronograma definido, e evidencia uma oportunidade para o Brasil ir além da exportação de matéria-prima, incentivando a instalação de indústrias locais que utilizem o lítio, agreguem valor à cadeia produtiva, gerem empregos e promovam o desenvolvimento regional em conformidade com as regulamentações nacionais, coisa que nenhum líder político da região defende.
Sou filho do Vale do Jequitinhonha. Trago na minha trajetória não apenas a experiência de ter ocupado cargos importantes e ter sido prefeito de Turmalina, no Alto Jequitinhonha por duas vezes e primeiro suplente de deputado estadual, mas também a responsabilidade de, por diversas vezes, representar os municípios da nossa região em instâncias decisivas. E é a partir desse lugar — de vivência, de luta e de compromisso — que afirmo com convicção: o Vale não pode mais se contentar com promessas superficiais de desenvolvimento.
Durante décadas, fomos apresentados a um modelo que reduz o progresso à simples geração de empregos, muitas vezes precários e de curta duração. Isso não basta. Nunca bastou. O nosso povo merece mais. O Vale do Jequitinhonha precisa, e exige dos governantes e dos investidores, um projeto estruturante, capaz de transformar de forma profunda e duradoura a sua realidade econômica e social.
Somos uma região rica. Rica em cultura, em história, em gente resiliente — e também em recursos naturais. No entanto, essa riqueza, especialmente a mineral, historicamente tem sido explorada sem que seus benefícios retornem de forma justa para quem aqui vive. Exportamos matéria-prima e importamos desigualdade. Esse ciclo precisa ser rompido.
Defendo, com clareza e firmeza, que o Vale do Jequitinhonha avance para um novo patamar de desenvolvimento: um modelo baseado na tecnologia, na inovação e na indústria de transformação instalada dentro do próprio território. Não queremos apenas extrair riquezas — queremos transformá-las aqui, gerando valor agregado, conhecimento e oportunidades reais para nossa população.
Isso significa investir em infraestrutura, qualificação profissional, educação técnica e superior alinhada às vocações regionais. Significa atrair indústrias comprometidas com o desenvolvimento local, que respeitem o meio ambiente e valorizem a mão de obra da nossa gente. Significa, sobretudo, construir autonomia econômica.
Não se trata apenas de economia. Trata-se de dignidade. Trata-se de garantir que nossos jovens não precisem deixar o Vale em busca de oportunidades que poderiam — e deveriam — existir aqui. Trata-se de fortalecer nossas cidades, de dinamizar nosso comércio, de ampliar nossa arrecadação e de investir melhor em saúde, educação e qualidade de vida.
O Vale do Jequitinhonha não quer favores. Quer justiça. Quer protagonismo. Quer ser reconhecido não como uma região carente, mas como um território de potencial extraordinário, pronto para crescer com inteligência, sustentabilidade e inclusão.
Essa é uma luta que não é de hoje — e que não pode ser adiada. É hora de transformar nossas riquezas em desenvolvimento concreto para o nosso povo. É hora de fazer do Vale do Jequitinhonha um exemplo de como é possível crescer sem deixar ninguém para trás.
*Soelson Araújo é empresário, jornalista, escritor, diretor presidente do Diário de Minas e membro da ALVA – Academia de Letras do Vale do Jequitinhonha

