Palácio Tiradentes, sede do governo de Minas Gerais - créditos: divulgação
19-01-2026 às 13h28
Samuel Arruda*
O cenário político para a disputa pelo governo de Minas Gerais em 2026 começa a ganhar contornos mais nítidos, embora ainda marcado por indefinições estratégicas, sobretudo no campo que busca o apoio do presidente Lula. A sucessão do governador Romeu Zema ocorre em um ambiente fragmentado, com nomes de diferentes espectros ideológicos tentando se viabilizar e com forte peso das alianças nacionais sobre o tabuleiro estadual.
Entre os nomes já colocados, Alexandre Kalil aparece como um ator central. Ex-prefeito de Belo Horizonte e agora filiado ao PDT, Kalil mantém relevância eleitoral mesmo após a derrota para Zema em 2022. Seu capital político se apoia sobretudo na Região Metropolitana de Belo Horizonte e em um discurso personalista, de viés pragmático, que dialoga tanto com eleitores de centro quanto com parcelas do eleitorado popular. Apesar de não ser unanimidade dentro da esquerda, Kalil é visto como um nome competitivo, especialmente em cenários de segundo turno.
No campo governista, o vice-governador Mateus Simões surge como o candidato natural da continuidade administrativa. Amparado por Zema e filiado ao PSD, Simões aposta na associação direta com a gestão atual e na tentativa de herdar o eleitorado liberal-conservador que sustenta o governo estadual. O desafio central de sua candidatura é transformar visibilidade administrativa em densidade eleitoral, já que Simões ainda carece de maior projeção popular fora dos círculos políticos e empresariais.
Um dos nomes que mais inquieta os demais pré-candidatos é o do senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos. Com forte presença nas redes sociais e um discurso antissistêmico, Cleitinho tem liderado diversos levantamentos de intenção de voto. Sua força reside na comunicação direta com o eleitor e na identificação com o campo conservador e bolsonarista, especialmente no interior do estado. Caso confirme a candidatura, tende a ser o principal adversário a ser enfrentado por qualquer outro postulante.
Do lado do governo federal, Minas Gerais é considerada estratégica, e o presidente Lula busca um palanque competitivo no estado. Nesse contexto, o nome mais citado é o do senador Rodrigo Pacheco. ex-presidente do Senado ex-PSD, Pacheco é visto como um candidato de perfil moderado, com capacidade de diálogo com o centro político e aceitação em setores do empresariado. Sua eventual candidatura, no entanto, depende de complexas negociações partidárias, inclusive dentro do próprio PSD, que já abriga Mateus Simões. Ainda assim, aliados do Planalto trabalham com a hipótese de que Pacheco seja o principal nome a receber apoio direto de Lula, caso decida entrar na disputa.
Outras alternativas também circulam nos bastidores. O ex-ministro e ex-vice-governador Walfrido dos Mares Guia tem sido lembrado como uma possibilidade para unificar o campo progressista, sobretudo pela sua relação histórica com Lula e pelo trânsito político amplo em Minas. Apesar disso, até o momento não há sinais claros de que ele esteja disposto a retornar ao protagonismo eleitoral, o que torna sua eventual candidatura mais especulativa do que concreta.
O Partido dos Trabalhadores, por sua vez, enfrenta dificuldades históricas para lançar um nome competitivo ao governo mineiro. Lideranças como a prefeita de Contagem, Marília Campos, são vistas como alternativas viáveis dentro da sigla, mas ainda sem consenso interno nem musculatura eleitoral suficiente para polarizar sozinhas a disputa estadual. Por isso, o PT tende a priorizar alianças, mesmo que isso implique apoiar um nome de fora do partido.
A tendência, portanto, é de uma eleição marcada pela fragmentação no primeiro turno, com forte peso das candidaturas personalistas e dos acordos nacionais. Minas Gerais deve se tornar um dos principais campos de batalha política do país em 2026, tanto pela relevância eleitoral do estado quanto pela necessidade de Lula e de seus adversários de construírem palanques sólidos em um território historicamente decisivo. A definição do nome apoiado pelo presidente pode reorganizar todo o cenário, mas, até lá, o quadro segue aberto e sujeito a mudanças significativas.
*Samuel Arruada é jornalista e articulista

