Créditos: Divulgação
17-03-2026 às 16h38
Samuel Arruda*
A pouco mais de seis meses das eleições de 2026, o cenário político em Minas Gerais ainda é marcado por indefinições, disputas internas e intensas articulações partidárias. A sucessão do governador Romeu Zema (Novo), impedido de disputar um terceiro mandato, abriu uma corrida fragmentada, com múltiplos pré-candidatos e negociações em curso para formação de chapas competitivas.
Levantamentos recentes indicam a liderança do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que aparece à frente em diferentes cenários de intenção de voto, com ampla vantagem sobre os concorrentes. Seu desempenho consolida um polo à direita com forte apelo popular e presença digital relevante.
Na sequência, nomes como Rodrigo Pacheco (PSD) e Alexandre Kalil (PDT) disputam espaço como alternativas mais ao centro, enquanto o vice-governador Mateus Simões (PSD) tenta viabilizar sua candidatura com apoio direto de Zema e da máquina estadual.
Outros nomes também se colocam no tabuleiro, como Gabriel Azevedo (MDB), além de candidaturas de menor expressão ligadas à esquerda e partidos ideológicos, como PSOL, PCB e PSTU.
O campo conservador é, ao mesmo tempo, o mais competitivo e o mais fragmentado. De um lado, Cleitinho tenta consolidar apoio do eleitorado bolsonarista; de outro, Mateus Simões busca unificar esse espectro político sob o guarda-chuva do governo estadual.
A estratégia de Simões inclui sua migração partidária para o PSD, em busca de maior tempo de TV e recursos do fundo eleitoral, além de articulações para evitar a dispersão de candidaturas da direita. Já Cleitinho negocia apoio do PL, partido que, nacionalmente, tem priorizado candidaturas próprias para fortalecer palanques estaduais.
O próprio Zema tem evitado antecipar definições, sinalizando que o cenário ainda é “imprevisível” e depende da consolidação de alianças.
No campo mais ao centro, Rodrigo Pacheco surge como um nome de peso institucional, mas ainda sem confirmação definitiva de candidatura. Sua eventual entrada pode reorganizar alianças e afetar diretamente o espaço de Simões dentro do PSD.
Alexandre Kalil, por sua vez, tenta reconstruir capital político após a derrota em 2022, agora filiado ao PDT. Já Gabriel Azevedo aposta em um discurso renovador, tentando ocupar uma lacuna entre centro e direita moderada.
À esquerda, o cenário é ainda mais disperso, com múltiplas pré-candidaturas e ausência, até o momento, de um nome com maior densidade eleitoral.
As negociações para o governo impactam diretamente a formação das chapas proporcionais — deputado federal e estadual —, consideradas estratégicas pelos partidos.
Siglas maiores, como PSD, PL, MDB e Republicanos, buscam montar nominatas competitivas para maximizar o quociente eleitoral e ampliar suas bancadas. A definição de alianças majoritárias tende a influenciar a distribuição de candidaturas proporcionais, especialmente em coligações informais e apoios cruzados.
Além disso, nomes cotados para o Senado — como Marcelo Aro (PP) — também entram no cálculo político, compondo chapas e atraindo apoios regionais.
Apesar da movimentação intensa, o quadro permanece aberto e indefinido. Pesquisas indicam tendências, mas a baixa cristalização do voto — evidenciada por altos índices de indecisão — sugere que o cenário ainda pode mudar significativamente até o início oficial da campanha.
Com Minas Gerais tradicionalmente desempenhando papel decisivo no equilíbrio político nacional, a eleição de 2026 no estado tende a refletir — e influenciar — a correlação de forças no país.
*Samuel Arruda é jornalista e articulista

