Mercosul e União Europeia vencem uma importante etapa para tornar realidade o esperado acordo multilateral - créditos: divulgação
13-01-2026 às 16h22
Direto da Redação
No próximo sábado, 17 de janeiro de 2026, Paraguai será o palco de um dos mais importantes momentos da história do comércio internacional das últimas décadas: a assinatura formal do acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE), um tratado que encerra mais de 25 anos de intensas negociações e resistências políticas e que reúne um dos maiores mercados consumidores do mundo. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, foi confirmada como responsável pela assinatura do tratado junto aos representantes dos países do bloco sul-americano — Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai — em Assunção, cidade que exerce a presidência rotativa do Mercosul neste ano.
O acordo, que já recebeu aval político do Conselho da União Europeia em uma votação marcada por apoio qualificado e oposição de países como França, Polônia, Áustria, Irlanda e Hungria, cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, com cerca de 780 milhões de consumidores integrados e oportunidades comerciais que podem moldar a concorrência global para os próximos anos.
Embora comemorado por muitos governos e setores industriais de ambos os lados do Atlântico como uma vitória do multilateralismo e da cooperação econômica, o tratado enfrenta críticas e protestos, especialmente por parte de agricultores e ambientalistas na Europa. Agricultores franceses, irlandeses e de outros países europeus têm bloqueado estradas e portos em sinal de protesto, argumentando que a maior abertura de mercado pode levar a uma concorrência agressiva de produtos agrícolas sul-americanos, como carne bovina, açúcar e etanol, pressionando seus próprios mercados domésticos. Ambientalistas também alertam para riscos relacionados ao desmatamento e aos padrões de produção ambiental e sanitária.
A formalização deste acordo representa um marco histórico porque ele estabelece reduções graduais e amplas das tarifas alfandegárias entre os dois blocos e inclui compromissos em áreas que vão além do comércio de bens, abrangendo regras sobre compras governamentais, propriedade intelectual e compromissos ambientais, que foram pontos sensíveis ao longo das negociações. Ainda assim, mesmo após a assinatura em Assunção, o acordo não entrará automaticamente em vigor: ele depende agora da aprovação do Parlamento Europeu e da ratificação nos parlamentos nacionais dos Estados-membros do Mercosul antes que possa começar a produzir efeitos jurídicos e econômicos.
Líderes que apoiam o pacto afirmam que ele pode abrir mercados, fortalecer a competitividade industrial e reduzir a dependência de mercados como os dos Estados Unidos e da China, enquanto aumentam o fluxo de investimentos e exportações. Para muitos países do Mercosul, a expectativa é que isso resulte em maior inserção global de seus produtos e em crescimento econômico sustentável ao longo dos próximos anos.
A cerimônia de assinatura no sábado será, portanto, um momento simbólico e concreto de um tratado de enorme dimensão geopolítica e econômica, mas o futuro do acordo ainda depende de etapas decisivas no interior das instituições legislativas de cada bloco e de como serão administradas as preocupações agrícolas, ambientais e sociais que o acompanham. Lembrando que os parlamentos de ambos os países do bloco ainda terão que ratificarem o acordo do livre mercado.

