De mãos dadas, mais que um gesto; um símbolo de força e união - créditos: Freepik
21-02-2026 às 15h40
Solange Mendes*
Ontem, conversando com um amigo, ele me dizia do tanto que gostaria de ter alguém que andasse de mãos dadas com ele, como qualquer namorado…
Tenho um outro amigo que morreu sem que ninguém andasse de mãos dadas com ele. Aí, fui pensar sobre isso e, realmente, as mãos entrelaçadas são conforto, cumplicidade, segurança…
Acho que eu tive dois namorados que seguraram minhas mãos, abraçado então, só meu namorado que namoro há 52 anos.
É engraçado como uma coisa tão simples, faz tanta falta, tem tanta importância. Creio que isso vem do carinho da mãe, do pai, de segurar o filho para ensinar os primeiros passos, depois, por um tempo, continuar segurando por carinho. Esse carinho, esse afago é o que precisamos e queremos na vida adulta. Quando estamos em um relacionamento, não fazer isso é como não ter a importância que se quer e que o outro não sente.
Até hoje, ando de mãos dadas com meu marido, mesmo se as coisas não estão tão bem, o carinho nosso um com o outro está lá. Gosto de ouvir e falar eu te amo e isso é normal no nosso dia a dia.
Mas essa semana, vi uma cena que me chamou atenção, mesmo eu tentando dissimular. Um casal descendo de um táxi perto do Mercado Central, um deu a mão e o outro olhou para os lados, parecendo envergonhado, incomodado inseguro… Então eu me lembrei de meu amigo querido, generoso, amoroso, que viveu só tendo amigos que só o queriam em casa entre quatro paredes. É uma das coisas que me entristece em algumas relações que conheço. Amor para mim é tão especial que, tendo certeza da existência, merece toda visibilidade e todo gestual de carinho.
Falando sobre isso para o meu filho, lembrei que tem muito tempo que não o vejo por aí de mãos dadas com alguém…
Escrevi isso há um tempo, pensando num amigo, e mandei para a amiga Dila Branca. Ela escreveu tão lindo sobre o que leu, que me senti muito feliz e tão tocada: “Solange, você conduz o texto por meio de histórias reais e próximas, um amigo que sonha com o gesto, outro que morreu sem vivê-lo, a lembrança pessoal dos seus namorados, a cena no táxi, a conversa com seu filho… Esses exemplos formam uma rede de vivências que humanizam e fazem com que sintamos tocados, lembrando também das próprias relações e carências.
Seu texto é poético, humano e honesto. Ele transforma algo cotidiano em algo profundamente simbólico. Com linguagem simples, você acessa emoções universais e constrói uma crítica social afetuosa e respeitosa. Ele funciona como um abraço literário, daqueles que acolhem, fazem pensar e deixam um quentinho no peito.
Beijos, você é preciosa. Deus te abençoe.”
A ela eu escrevi, emocionada: Branca, você não sabe o quanto me fez bem. Eu nunca li nada tão lindo… Adorei! Postei como me mandou.
*Solange Mendes, dona de casa, funcionária pública aposentada, mãe, avó, bisavó, e cidadã de bem com a vida.

