Tadeu Martins Presidente da ALVA-Academia de Letras do Vale do Jequitinhonha abre os trabalhos - créditos: ALVA
09-03-2026 às 12h00
Por Soelson B. Araújo*
Belo Horizonte viveu, nos dias 7 e 8 de março, um encontro raro entre tradição, arte e pertencimento. O 3º Encontro dos Vales do Jequitinhonha, Mucuri e Norte de Minas, realizado no Mercado de Origem, no bairro Santa Teresa, reuniu artistas, artesãos, escritores, músicos e admiradores da cultura mineira em dois dias de intensa celebração das riquezas culturais dessas regiões.
O evento consolidou-se como um grande espaço de valorização da identidade dos Vales, atraindo público expressivo e reafirmando o orgulho de um território conhecido pela criatividade, pela resistência cultural e pela produção artística singular.
Uma verdadeira mostra da alma dos Vales. Tiveram como grandes destaques do encontro, a exposição de trabalhos de mais de 140 artesãos, com peças produzidas no Vale do Jequitinhonha, do Mucuri e do Norte de Minas. As obras apresentaram a força da tradição regional em diferentes materiais e técnicas — de condimentos especiais à cerâmica, das esculturas em madeira, passando pelas bebidas típicas, bordados, tecelagem e arte popular.
Cada peça carregava não apenas a habilidade manual de seus criadores, mas também histórias, memórias e modos de vida transmitidos entre gerações. Para muitos visitantes, a feira foi uma oportunidade de conhecer de perto um dos patrimônios culturais mais reconhecidos de Minas Gerais.
Dos sabores e música que contam histórias, gastronomia regional também foi protagonista. Pratos típicos, quitandas e receitas tradicionais transformaram o espaço em uma verdadeira viagem pelos sabores dos Vales, despertando lembranças e curiosidade entre o público.
A programação musical completou o ambiente festivo. O palco do encontro recebeu artistas profundamente ligados à cultura regional, como Rubinho do Vale, Paulinho Pedra Azul, Volber Maciel, Bruno Mark e Saulo Laranjeira dentre outros.

As apresentações emocionaram o público ao trazer canções que retratam a vida no sertão mineiro, as paisagens do Jequitinhonha e as histórias do povo da região.
Academia de Letras do Vale do Jequitinhonha ALVA realizou a posse de novos membros
Um momento especialmente simbólico ocorreu no dia 8 de março de 2026, quando a ALVA – Academia de Letras do Vale do Jequitinhonha realizou a posse de seus novos membros, fortalecendo o compromisso com a valorização da literatura e da produção intelectual dos Vales.
Tomaram posse:
- Marli Froes – Membro titular
- Arlindo Maciel – Membro Emérito
- Huguinho Lopes – Membro Emérito
- Marizinha Nogueira – (In Memorian)
- Rosarinha Coelho – Membro Emérito
- Clênio Figueiredo Salviano – Membro Correspondente
- Evandro – Membro Correspondente
- Francisco Velas Boas – Membro Correspondente
- Giano Lopes Nepomuceno – Membro Correspondente
- Lucas Assunção – Membro Correspondente
- Professora Das Dores – Membro Correspondente
- Neiton Lima – Membro Correspondente
- Tin Tin Alves – Membro Correspondente
- Santuza Tu – Membro Correspondente
- Soelson B. Araújo – Membro Correspondente
A solenidade destacou especialmente a presença feminina na instituição, celebrando o protagonismo das mulheres na construção da literatura e da cultura regional, com menção especial à acadêmica Marli Froes, cuja trajetória representa a sensibilidade e a força da escrita feminina nos Vales, assim como da professora Das Dores, Beth Guedes, Rosarinha Coelho e Santuza Tu no Dia Internacional da Mulher.

A história cultural do Vale do Jequitinhonha não pode ser contada sem reverência a Tadeu Martins.
Poeta, escritor, compositor e incansável articulador cultural, Tadeu Martins é reconhecido como um dos fundadores do Festivale, considerado o maior evento cultural da região. Sua trajetória sempre esteve ligada à defesa da arte popular, da literatura e das manifestações culturais e sociais do povo do Vale.
Com sensibilidade rara, ele transformou poesia em ação social e cultura em instrumento de união. Também é idealizador da própria Academia de Letras do Vale do Jequitinhonha (ALVA), criada com o propósito de preservar e projetar a produção literária da região para o Brasil e para o mundo.

Foto: Mestres de cerimônia, Deise Magalhães e Joaquim Celso Freire, ambos acadêmicos da ALVA.
Falar de Tadeu Martins é falar de alguém que carrega o Vale no peito e na palavra. Em sua caminhada artística e social, ele plantou sementes de cultura que hoje florescem em encontros como este — espaços onde memória, arte e identidade caminham lado a lado.
Esse evento é uma parte importante da manifestação cultural dos Vales que ecoa para o mundo. O sucesso do 3º Encontro dos Vales demonstra que a cultura do Jequitinhonha, do Mucuri e do Norte de Minas segue viva, pulsante e cada vez mais reconhecida.
Mais do que um evento, o encontro se tornou um território simbólico dos costumes de um povo, onde artesãos, músicos, escritores e o público se encontram para celebrar aquilo que os une: a força criativa de um povo.
O Diário de Minas reafirma seu compromisso de continuar apoiando e divulgando o trabalho da Academia de Letras do Vale do Jequitinhonha e das manifestações culturais dos Vales, levando essas histórias, talentos e tradições para os quatro cantos do mundo.
Porque quando o Vale canta, escreve, esculpe e celebra, Minas inteira escuta — e o Brasil também.
*Soelson B. Araújo é Jornalista, escritor e CEO do Diário de Minas

