Membros do Copom - Comitê de Política Monetária do Banco Central - créditos: divulgação
29-01-2026 às 17h26
Mariana Cavalheiros da Galápagos Capital
o Banco Central manteve a Selic em 15% a.a., por unanimidade, em linha com o consenso. A comunicação, no entanto, mudou de forma relevante e restabeleceu o forward guidance, com sinalização de início do ciclo de cortes já na próxima reunião, em 18 de março.
Como esperávamos, foi retirado o trecho que indicava a estratégia de manter a Selic em 15% por “período bastante prolongado”, e houve maior ênfase nas defasagens da política monetária — com o reconhecimento de que os efeitos da transmissão estão se tornando mais evidentes. Além disso, o comunicado mostrou maior confiança no processo de desinflação, ao destacar que tanto a inflação cheia quanto as medidas subjacentes seguem em arrefecimento.
Em nossa avaliação, essa mudança de comunicação era condição necessária para viabilizar o início do ciclo de flexibilização ainda no primeiro trimestre. Embora o Copom siga reconhecendo a resiliência do mercado de trabalho, o forward guidance passa a ser ancorado sobretudo no ambiente de inflação mais benigna e na maior efetividade da política monetária, abrindo espaço para calibrar o grau de restrição.
Entendemos que o Banco Central entra agora na fase de ajuste do nível de aperto monetário. Há meses destacamos que a taxa real ex-ante — medida pelo DI de um ano menos a expectativa de inflação para os próximos 12 meses — permanece próxima de 9,5%, muito acima da estimativa de taxa neutra do próprio BC, em torno de 5%. Esse diferencial reflete um grau de aperto monetário historicamente elevado. Mantido o processo de desinflação, esperamos que o BC passe a reduzir gradualmente esse hiato.
De acordo com nossas projeções para inflação e atividade, a Selic pode recuar para 11% ao final do ano, sem riscos relevantes para a convergência da inflação à meta. Para a reunião de março, projetamos um corte de 50 pontos-base, levando a taxa para 14,5% a.a., e vemos espaço para aceleração do ritmo de cortes a partir do meio do ano.
A ata da reunião, a ser divulgada na próxima terça-feira, será importante para avaliar com mais detalhe a leitura do Copom sobre a atividade e sobre o ambiente internacional. Ainda assim, nossa leitura é clara: o ciclo de cortes de juros está contratado.
O Índice de Sentimento Monetário Galapagos (Gráfico 1) corrobora essa avaliação, ao indicar uma mudança significativa na comunicação entre dezembro e janeiro, com sinalização inequívoca de transição para uma estratégia de afrouxamento monetário.
Nosso índice utiliza um modelo de processamento de linguagem (NLP) para determinar se os comunicados do Copom desde 2016 demonstram uma perspectiva positiva ou negativa sobre o cenário inflacionário. Para cada comunicado, o modelo executa a análise das frases que contêm palavras relevantes para a decisão do Copom. O modelo retorna valores de -1, 0 ou 1 (negativo, neutro e positivo, respectivamente). Estes compõem uma média ponderada que representa o sentimento do comunicado.
Este índice é padronizado e reescalonado para ter média 100 para o intervalo da série (2016 a 2023), seguindo a metodologia do índice criado por Husted et al. (2017).
Gráfico 1. Índice de Sentimento Monetário Galapagos e Taxa de Juro Real Ex-Ante
FONTE: BCB. ELABORAÇÃO E ESTIMATIVA: Galapagos Capital.
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*Mariana Cavalheiros é Assessora de comunicação da Galápagos Capital

