Ilustração - créditos: Zé Altino
29-03-2026 às 08h05
José Altino Machado *
Vi um Presidente encamisado de vermelho, vi sim, juro que vi. Mania estranha a do brasileiro, aliás do povo não, mas das autoridades e agora até da presidência. Chegam a qualquer lugar de destaque, onde acontece tragédia ou evento de importância qualquer, já vestem o chamativo colete da ocasião.
Colete da defesa civil então, adoram, tão sugestivo a parecer um salvador de corpos e almas. Já o do Lula e séquito, macacão folgado, era o da Petrobras, dona dos oceanos e do petróleo brasileiro.
Assuntos bastantes eivados de polêmicas… em palco, que me pareceu uma plataforma marítima.
Uma besteirada danada, bem própria de quem não entende “nadica” de nada, mas como lá vem eleições por aí, se mascara com uma boa ideia, sem 51. Não vi, dizem as más línguas que até os peixes em derredor cascaram fora.
Como é que pode, um presidente forjado, cuspido e cagado como, dizem os mineiros, pelos melhores luminares da nação brasileira e que tanto o ajudaram a ser um maestro, a ver e saber como são as coisas, proporcionam-lhe um primeiro mandato tão louvável, não haver percebido ter sido premiado por Deus, por tantos reconhecidos estadistas a sua volta. Homens que realmente engrandeceram uma Nação estagnada.
Nordeste, ah! o Nordeste, dois. Um antes outro depois do primeiro quadriênio com Lula começado em 2002. Centenas ou milhares de novos milionários, criados a dar empregos e oportunidades a tantos. Ele era o Cara…
Antes, tendo sido tão contra a proposta para reeleições, abandonou a “deputância” federal, afirmando, existir no Congresso 300 picaretas. Talvez por isso, ao ser eleito presidente acreditou em maior sucesso estabelecendo aos mesmos, anteriormente corrompidos, o famoso mensalão.
Método pouco mais decente que o usado pelo velho antecessor, para compra descarada de votos para se passar a lei de repetição mandataria.
Já sentado na cadeira real do Planalto e bafejado pela popularidade alcançada, logo declarou: “bem, fui contra, mas já que inventaram essa bichinha, vou experimentar”. Se referindo a vontade parida de continuísmo de Fernando Henrique, o grande corruptor.
Depois, aff, adotou um desenfreado populismo, botando literalmente a escanteio a qualidade administrativa gerencial, promovendo em todo o país uma fuga em massa da vergonha, consciência, decoro e responsabilidade na política nacional.
Pensava eu como muitos, que a tragedia vivida seria apenas tempos ruins de maus ventos que rapidamente haveriam de passar. Que nada!!! Até aquela que estocava ventos ele “butou” lá. Despreparo que levou a uma desqualificada geral…uma merda só.
O interessante é que numa extremada demonstração de total ignorância do que seja um Brasil carente em seus preciosos elementos, combustíveis que o fazem andar, crescer e prosperar, fantasiado com macacão petroleiro se pôs a jorrar estultices, lambuzadas de política.
Já em primeira mão deveria saber que somos exportadores de gasolina; nos sobra. E para onde a vendemos, se torna bem mais barata àqueles consumidores. Num tremendo paradoxo, internamente permite elevadas taxações sobre este produto, parecendo dar incentivo à importação de carros elétricos, dando maior consumo as “energéticas”, das quais somos imensamente desprovidos, não só ao avanço industrial, de uso imperativo público, urbanas e particulares. E tudo bem agravado pela problemática pseudo-ambiental em não construir hidroelétricas.
Para não permitir magoas em seu coração, oh meu Deus, ainda vem de lá a politicar oferecendo-a de graça a milhões. Isso após o produto petroleiro congênere, bem diferente de sua própria flatulência, já estando bem doado, o gás cozinheiro.
Também em abuso de desinteligência, breca construção de uma estrada de ferro, ferro-grão, que passa ao largo de mais de 50km de qualquer área protegida de civilizados fantasiados tal povos originários, permitindo que tanto se queimem aquilo no qual somos realmente carentes e necessitados, não as canas alcoólicas, mas do óleo diesel.
Sabidão, permite que se faça das paragens produtoras, uma outra, que levará às longínquas e caras vizinhanças do mestre FHC. Sempre dizem que a São Paulo pode e cabe tudo, inda que seja no demasiado distante e caro porto de Santos. Econômicos rios navegáveis amazônicos nem pensar; só para barquitos e submarinos do narcotráfico.
Mas, pior e mais grave, sem esquecer nunca de adversários anteriores, reclama da venda do braço distribuidor da megaempresa ainda fantasiada como estatal. Me parece que ele sabe, mas faz de conta que não sabe.
Essa estatal petroleira, ainda o é, exatamente por abrigar em seu seio, acionistas particulares investidores que estão em busca de incomensuráveis tesouros, com garantias de inexistência de competidores ou meros concorrentes. Só por isso… e um deles, não dos maiores, tal qual bancos, sozinho na distribuição de dividendos levou para casa sem depositar no Master, alguns bilhões.
Curiosamente há tempos este país deixou de falar em milionários e milhões. Agora até a se roubar na cara dura são bilionários e bilhões. Milhões como os advogados do citado Master é coisa de pobre e humilhante.
Após este parêntese para tão triste reconhecimento, seria bom que a brasileirada soubesse, que se tornou extremamente sem sentido o slogan getulista do “petróleo é nosso”. Assim como ela, criada como agência de desenvolvimento, também a Vale do Rio Doce seguiu caminhos rumo a escalada maior de enriquecimento da espertalhada banqueirada.
Hoje, tudo tem cara de sem-vergonhice. Tornaram-se bens de particulares “povos acionistas”, ato de fácil constatação. A crise nem chegou ainda, mas os aumentos já despontam nos bicos das bombas.
Nunca entendi por que o Estado, sócio majoritário, através do maior responsável pelos bens nacionais, o presidente, jamais faz leitura prévia dessa inesgotável divisão de lucros pagos por todos nós. Algum problema, é só pedir alguém para ler e analisar para ele
Para não dizer e culpar apenas a Lula, bastante conhecedor do país vizinho, sabedor do diferente regime instalado, comandado por descendentes de povos originários, que conhecimento técnico não possuem para gerenciar suas riquezas naturais, sequer a produção no campo, no segundo ano do governo anterior, em reunião levada a efeito no Palácio do Planalto, com os mais altos e dignos dirigentes nacionais lhes disse: aproveitemos o momento assinemos acordos para reparos das refinarias avariadas. E mais…
Enviamos nossos técnicos da mais alta qualidade da Embrapa, para lhes repassar a boa cuida de produção rural. Mais ainda…
Proponhamos acordo e assinatura de construção de oleoduto para vinda seletiva de nosso calcanhar de Aquiles, o diesel. Teremos apenas que bombeá-lo até a fronteira, em Pacaraima, tão mais alta e após isso a gravidade o trará ao porto Manaus. Com isso encontraremos nosso total equilíbrio em abastecimento de combustíveis.
E continuei, eles o farão pelo frágil e instável momento político que atravessam. E tudo deverá ser feito antes que a eles venham os senhores do mundo, os americanos – que virão com certeza. Muita coisa ali era deles e ninguém nada lhes toma. Acredito que conosco não mexerão.
A resposta ao que transmitia, vindo do comando daquele seguimento, era que o senhor presidente de então os achavam comunistas. Ainda repliquei que nem cultura para tal eles possuíam e além do mais não se tratava de comunas, socialistas ou capitalistas e sim dos interesses nacionais marchando em grandiosa expansão. Em resposta, um constrangedor silencio.
Tirei minha bunda da cadeira e fui-me embora. Assim posso dizer ao atual presidente que não fique brabo nem vista vermelho frouxo, passando vergonha fora de sua praia e de seu pouco saber.
Ele, cara pálida de “véio”, nessa, não está sozinho.
BH/Gv/Macapá, 29/03/2026
*José Altino Machado é jornalista

