Créditos: Divulgação/ Instituto Serrapilheira
09-03-2026 às 14h23
Direto da Redação*
Preservativo de látex, a famosa camisinha de vênus ou simplesmente, “camisinha”, não é como aquela bucha de aço utilizada na cozinha, mas possui utilidades antes inimagináveis, como o uso em experiências científicas na Amazônia.
Enquanto Trump e Netanyahu colaboram entre si e com o comprometimento do Irã cuidam de transformar o mundo em inferno, a equipe de ecólogas composta por estudantes como Marina Méga, Izadora Nardi, Sara Feitosa e Maria Luiza Busato está ocupada com o curso de campo de Formação em Ecologia Quantitativa do Instituto Serrapilheira, no Rio de Janeiro (RJ), cuidando da preservar as cigarras.
A pesquisa tratou de comprovar as funções biológicas das estruturas erguidas por elas numa fase considerada de vulnerabilidade maior do ciclo, justamente na etapa da metamorfose. A estrutura (Foto) reduz o risco de ataque de predadores, especialmente durante a metamorfose, ocasião em que “a ninfa emerge do solo e permanece exposta por algumas horas enquanto se transforma em adulta”, como publicou o “Metrópoles”.
As torres funcionam como uma espécie de extensão do próprio corpo da cigarra-arquiteta. Ajudam a reduzir o risco de ataque de formigas e a mantém a troca de gases no processo de desenvolvimento. O papel dessas estruturas antes era baseado “em hipóteses e principalmente, em observações, sem comprovação experimental”.
Com o intuito de testar o papel das torres na respiração das ninfas, as pesquisadoras bloquearam toda a troca de gases entre o interior da torre e o ambiente exterior.
As camisinhas vestiram as estruturas, de cima a baixo com o auxílio de filme plástico, garantindo vedação total e assim uma delas ficou selada por cerca de 18 horas.
A intenção era simular “estresse respiratório”. Caso as estruturas funcionassem como “sistema de ventilação ou controle de gases”, a falta de ar deveria alterar a resposta das ninfas.
Isto feito, as pesquisadoras quebraram com a mão as torres com o fito de observar “como o inseto reagiria e quanto conseguiriam reconstruir das estruturas durante a noite”.
Os resultados indicaram uma resposta clara ao bloqueio da ventilação. As ninfas que estavam nas estruturas maiores aceleraram o crescimento após a vedação, enquanto aquelas em torres menores reduziram a taxa de reconstrução.
As jovens pesquisadoras perceberam que as torres funcionam como “fenótipo estendido”, ajudam a regular as condições internas das cigarras durante a fase subterrânea, ocasião em as suas características se manifestam por meio das estruturas que habilmente constroem em legítima defesa própria.

