Plenário da Câmara de Vereadores de Belo Horizonte - créditos: CMBH
05-02-2026 às 16h55
Samuel Arruda*
A Câmara Municipal de Belo Horizonte aprovou nesta quarta-feira, 5 de fevereiro, projeto de lei que autoriza o município a contratar um empréstimo de até R$ 500 milhões. A medida abre caminho para a captação de recursos que deverão ser destinados a investimentos estratégicos em áreas consideradas prioritárias para o desenvolvimento urbano e para a melhoria da qualidade de vida da população da capital mineira.
De acordo com o texto aprovado, o objetivo do empréstimo é ampliar a capacidade de investimento da Prefeitura em ações estruturantes, com foco em obras de infraestrutura, intervenções urbanas, mobilidade, sustentabilidade ambiental e melhoria de serviços públicos. A administração municipal argumenta que os recursos permitirão acelerar projetos que, com receitas próprias, levariam mais tempo para sair do papel, especialmente em um contexto de crescentes demandas sociais e urbanas.
A proposta gerou debate entre os vereadores ao longo da tramitação. Parlamentares favoráveis destacaram que o empréstimo representa uma oportunidade de enfrentar gargalos históricos da cidade, como problemas de drenagem, mobilidade e requalificação de áreas urbanas, além de preparar Belo Horizonte para desafios futuros, como os impactos das mudanças climáticas. Para esses vereadores, o investimento, se bem executado, pode gerar benefícios diretos para a população, como mais segurança, melhores condições de circulação e ampliação de espaços públicos.
Por outro lado, houve manifestações de cautela em relação ao endividamento do município. Vereadores que fizeram ressalvas chamaram atenção para a necessidade de planejamento rigoroso, transparência e controle social sobre a aplicação dos recursos. Segundo eles, a contratação de um empréstimo desse porte exige garantias claras de que o dinheiro será utilizado de forma eficiente, com metas definidas, cronogramas públicos e mecanismos permanentes de fiscalização.
Especialistas em gestão pública ressaltam que operações de crédito podem ser instrumentos legítimos para promover o desenvolvimento urbano, desde que acompanhadas de responsabilidade fiscal e acompanhamento contínuo. No caso de Belo Horizonte, o impacto do empréstimo dependerá diretamente da forma como os projetos serão executados e monitorados, bem como da capacidade do poder público de prestar contas de maneira clara à sociedade.
A aprovação do projeto reforça a importância de um acompanhamento rigoroso por parte da Câmara Municipal, dos órgãos de controle e da própria população. A expectativa é que a Prefeitura detalhe, nos próximos passos, como os R$ 500 milhões serão distribuídos entre os projetos e quais indicadores serão utilizados para medir os resultados. Para os belo-horizontinos, o desafio agora é garantir que os recursos se traduzam em melhorias concretas no dia a dia da cidade e não apenas em números no orçamento.
*Samuel Arruda é jornalista e articulista

