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16-01-2026 às 08h21
Direto da Redação*
“Quando Trump sinaliza que Powell continua no Fed, o mercado entende que não haverá uma mudança brusca nos juros dos Estados Unidos. Isso traz um pouco mais de previsibilidade para o cenário global e ajuda países como o Brasil, que dependem do fluxo de capital externo. O problema é que o mundo segue tenso. Conflitos no Oriente Médio, a guerra entre Rússia e Ucrânia, disputas comerciais entre grandes economias e instabilidades políticas em países produtores de petróleo, como a Venezuela e Irã, mantêm o investidor cauteloso. Nesse ambiente, o dólar sempre reage primeiro, depois vemos a curva de juros futuros subindo e posteriormente o crédito e os investimentos ficam mais seletivos. Para o Brasil, isso significa um custo de capital mais alto e menos apetite a risco em 2026, especialmente para negócios de longo prazo”, Volnei Eyng, CEO da Multiplike.
“A decisão de Trump de manter Jerome Powell no Fed reduz o risco institucional e aumenta a previsibilidade da política monetária global. Para o Brasil, isso ajuda a ancorar juros longos nos EUA e favorece marginalmente o fluxo para emergentes, desde que o risco doméstico não piore. Em cenários de maior tensão geopolítica, o câmbio reage primeiro, seguido pelo crédito, com abertura de spreads e menor liquidez. O investimento real sente depois, mas com efeitos mais duradouros. Olhando para 2026, um ambiente externo mais incerto pressiona o custo de capital no Brasil e reduz a tomada de risco, exigindo maior seletividade, estruturas defensivas e foco em ativos com geração de caixa e proteção jurídica”, André Matos, CEO da MA7 Negócios.
“O anúncio recente de que Donald Trump não pretende demitir Jerome Powell da presidência do BC, apesar de uma investigação em curso, tende a trazer maior previsibilidade sobre a condução da política monetária nos Estados Unidos e, por extensão, sobre juros globais e o fluxo de capital para mercados emergentes como o Brasil, porque reduz a percepção de um choque institucional imediato e estabiliza as expectativas de que o Federal Reserve continuará a calibrar sua estratégia de juros de forma técnica e gradual, o que é visto com alívio por investidores que precificam risco e retorno em mercados acionários e de renda fixa domésticos. No entanto, riscos geopolíticos maiores, como tensões internacionais, conflitos ou pressões sobre instituições como o próprio Fed, tendem a se refletir primeiro no crédito e no câmbio, já que em momentos de maior incerteza global investidores normalmente procuram refúgios seguros, o que pode elevar o custo do crédito para emissores emergentes e pressionar moedas locais frente ao dólar, antes de impactar decisivamente os investimentos em ações, que muitas vezes reagem com um atraso maior às notícias de risco externo”, Sidney Lima, Analista da Ouro Preto Investimentos.
“A sinalização de continuidade no Federal Reserve reduz o risco institucional e ajuda a manter algum grau de previsibilidade no custo global do dinheiro, o que é relevante para o Brasil em um momento de maior sensibilidade do crédito. Em cenários de tensão geopolítica, o câmbio reage de forma quase imediata e o crédito sente na sequência, com spreads mais abertos e menor apetite bancário. É justamente nesse ambiente que o crédito estruturado ganha espaço, porque permite calibrar risco, prazo e garantia. Para 2026, a leitura é clara: o custo de capital tende a permanecer pressionado, exigindo operações bem estruturadas, lastro sólido e foco em empresas com fluxo de caixa comprovado e governança, condição essencial para manter liquidez mesmo em ciclos mais restritivos”, Richard Ionescu, CEO do Grupo IOX.
“A permanência de Powell no comando do Fed reduz o ruído institucional e ajuda o investidor a separar risco político de fundamentos econômicos, algo crucial para decisões de alocação global. Em momentos de estresse geopolítico, o câmbio costuma ser o primeiro termômetro, mas o efeito se espalha rapidamente para juros e ativos de risco. Para o investidor brasileiro, isso reforça a importância de diversificação e acesso eficiente a mercados globais. ETFs ganham relevância justamente por permitir exposição a diferentes geografias e classes de ativos com liquidez e transparência, características essenciais em um cenário que, olhando para 2026, tende a combinar incerteza externa com custo de capital ainda elevado”, Fábio Murad, economista e CEO da Super-ETF Educação.
“A permanência de Jerome Powell no Fed reduz ruídos institucionais e ajuda a estabilizar expectativas globais, o que é positivo para países como o Brasil em um momento de maior cautela dos investidores. Em cenários de tensão geopolítica, o primeiro impacto costuma vir pelo câmbio, seguido por uma redução de liquidez e maior seletividade no crédito. Para o ecossistema de inovação, isso significa um ambiente mais exigente, com capital mais caro e decisões de investimento mais criteriosas. Em 2026, startups e investidores precisarão priorizar eficiência operacional, modelos com geração de caixa mais clara e estratégias que reduzam dependência de funding externo”, Antonio Patrus, Diretor da Bossa Invest.
“A decisão de manter Powell no comando do Fed contribui para previsibilidade na política monetária global, o que ajuda a reduzir volatilidade excessiva nos mercados e traz algum suporte ao Brasil. Ainda assim, em momentos de maior incerteza geopolítica, o câmbio reage rapidamente e o crédito tende a ficar mais restrito, elevando o custo do capital. Nesse contexto, ativos reais ganham relevância como instrumento de proteção patrimonial. Para 2026, o investidor brasileiro deve buscar estruturas que reduzam exposição ao crédito bancário tradicional e priorizem previsibilidade de longo prazo, como estratégias imobiliárias bem estruturadas e modelos de aquisição que preservem caixa”, Pedro Ros, CEO da Referência Capital.
“A continuidade de Powell no Fed diminui o risco institucional e ajuda a ancorar expectativas de juros internacionais, mas não elimina os efeitos de um cenário geopolítico mais tenso. No Brasil, o impacto aparece primeiro no câmbio e rapidamente se traduz em maior rigor no crédito e menor liquidez. Para empresas, isso reforça a importância de planejamento financeiro e acesso a estruturas de crédito mais resilientes. Olhando para 2026, a tendência é de um custo de capital mais elevado, o que aumenta a demanda por soluções estruturadas, com garantias claras, governança e previsibilidade de fluxo, capazes de sustentar crescimento mesmo em ambientes mais voláteis”, Gabriel Padula, CEO do Grupo Everblue.
“O recado do mercado internacional é de cautela, não de alívio. Mesmo com maior previsibilidade na condução da política monetária nos Estados Unidos, o ambiente global segue mais restritivo ao risco, especialmente para países emergentes como o Brasil. Em períodos de tensão geopolítica, o capital se retrai, o câmbio se ajusta rapidamente e o apetite por investimentos diminui. Para o ecossistema de startups, isso significa um ciclo mais duro, em que crescer a qualquer custo deixa de ser opção. Em 2026, a sobrevivência e a escala estarão cada vez mais ligadas à eficiência operacional, à capacidade de gerar caixa e à construção de modelos de negócio sustentáveis, menos dependentes de rodadas frequentes de captação”, João Kepler, CEO da Equity Group.

