Vice-governador, Mateus Simões e o governador Romeu Zema - créditos: Agência Minas
05-03-2026- às 17h26
Samuel Arruda*
A sucessão ao governo de Minas Gerais em 2026 tem provocado ruídos dentro do próprio grupo político do governador Romeu Zema, especialmente em torno da pré-candidatura de seu vice, Mateus Simões. Apesar de ser considerado o sucessor natural do atual governo, Simões enfrenta dificuldades para consolidar seu nome nas pesquisas e também para organizar alianças partidárias consistentes, abrindo espaço para novas articulações no cenário político mineiro.
Nos bastidores da política mineira, interlocutores relatam que a relação entre Zema e Simões tem passado por momentos de tensão em razão da estratégia eleitoral para 2026. O vice-governador foi escolhido como herdeiro político do projeto do governo, mas ainda não conseguiu transformar esse apoio em crescimento consistente nas intenções de voto.
Pesquisas recentes indicam que o senador Cleitinho Azevedo aparece com vantagem em cenários para o Palácio Tiradentes, chegando a liderar levantamentos com cerca de 38% das intenções de voto.
Ao mesmo tempo, Simões enfrenta obstáculos políticos relevantes. Entre eles:
alta taxa de rejeição entre eleitores mineiros, apontada em levantamentos divulgados em 2025;
dificuldades para consolidar alianças partidárias;
disputa dentro do campo da direita, que hoje conta com múltiplos nomes competitivos.
A mudança partidária de Simões, que deixou o Novo e se filiou ao PSD em 2025 para ganhar estrutura eleitoral, também gerou desconforto entre aliados históricos do governo e reorganizou o tabuleiro político no estado.
Mesmo com o apoio de Zema, a pré-candidatura de Simões ainda busca tração política. A estratégia do vice-governador tem sido ampliar a base de apoio no interior e tentar unificar o campo conservador. Porém, o crescimento de outros nomes e a fragmentação da direita ameaçam esse plano.
Além disso, articulações nacionais também interferem no cenário mineiro. Discussões sobre alianças presidenciais e a definição de palanques regionais criam novos impasses na formação da chapa governista.
Nesse contexto de incerteza, cresce nos bastidores a possibilidade de o ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli entrar na composição de uma chapa majoritária em Minas.
Dirigentes do PL mineiro admitem conversas com Medioli e também com o empresário Flávio Roscoe para possíveis composições eleitorais, seja para encabeçar uma candidatura ao governo ou para ocupar a vaga de vice-governador.
Medioli, que governou Betim por dois mandatos e tem forte presença empresarial e política no estado, é visto por parte da direita como um gestor com perfil administrativo e capacidade de ampliar o eleitorado da chapa. Ainda assim, as negociações estão em fase preliminar e dependem da definição das alianças partidárias.
O quadro eleitoral em Minas permanece aberto. Além de Simões e Cleitinho, outros nomes podem entrar na disputa, o que tende a fragmentar ainda mais o campo conservador. Nos bastidores, dirigentes partidários avaliam que as definições mais concretas sobre chapas e alianças devem ocorrer apenas nos próximos meses, conforme avançam as negociações nacionais e estaduais.
Enquanto isso, a dificuldade de decolagem da candidatura de Mateus Simões e as movimentações envolvendo nomes como Vittorio Medioli indicam que a sucessão de Romeu Zema ainda está longe de ser definida.
*Samuel Arruda é jornalista e articulista

