
Rio São Francisco - créditos: Marcelo Camargo
29-08-2025 às 12h00
Direto da Redação
Notícia da maior importância para o Estado de Minas Gerais foi publicada pelo Diário Oficial da União (DOU): o Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho a fazer estudos de viabilidade da hidrovia do Rio São Francisco, por intermédio da Companhia Docas do Estado da Bahia (Codeba).
A companhia vai realizar os estudos necessários para retomar a operação da hidrovia, inclusive em termos de exploração privada da infraestrutura. A portaria neste sentido foi assinada pelo ministro no DOU desta terça-feira, 26. Os “estudos necessários” são relacionados com o meio ambiente e visam subsidiar “as atividades relativas à exploração e operação da hidrovia pela Codeba”, que poderá ser “parte integrante do procedimento administrativo da possível concessão da estrutura hidroviária”, disse o ministro.
Para rememorar todo esse processo que promete desafogar bastante o transporte rodoviário e valorizar o hidroviário, cujas águas rolam rumo ao mar sem uma serventia 100% aproveitada, em 13 de junho, o Governo Federal apresentou o projeto de nova hidrovia do Rio São Francisco, com o intuito de transportar cargas a partir de Pirapora (MG) a Juazeiro (BA) e Petrolina (PE). Cargas de insumos agrícolas, gesso, gipsita, calcário, grãos, bebidas, minério e sal, dentre outras.
A importância do Rio São Francisco pode ser estimada porque é da maior valia, mas o que importa é o fato de ele passar pelo Distrito Federal, por Goiás, Bahia, Sergipe, Alagoas e Pernambuco, 505 municípios correspondentes a mais de 11,4 milhões de pessoas, brasileiros que dependem dele.
Ainda para este ano, a previsão é de dragar as hidrovias do Tapajós e do São Francisco, além da manutenção do Madeira, Parnaíba e Paraguai. O País tem 12.000 km de hidrovias navegáveis, e ainda pode chegar a 42.000 km.
NASCENTE DO RIO
O jovem presidente da Câmara Municipal de São Roque de Minas, município onde nasce o Rio São Francisco, na Serra da Canastra, Kaique Bernardes Ferreira (PSD), de 26 anos, formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em Ciências do Estado, vibrou com a notícia sobre a possibilidade de o Velho Chico vir a ser oficialmente uma hidrovia.
Ele acredita que os investimentos no Rio São Francisco irão estimular o desenvolvimento da região, que enfrenta uma série de problemas e um deles, de deixar qualquer um boquiaberto, são os 70 a 90 quilômetros de “uma estrada federal” inteiramente de terra, com um movimento excepcional devido ao escoamento da produção.
São Roque de Minas possui população de 7 mil habitantes e ainda se ressente do fato de os proprietários das terras onde hoje é o Parque da Canastra, nascente do Rio da Unidade Nacional, não foram indenizados. E lá se vão mais de 50 anos. Mas, apesar de tudo, o parque e a nascente do Rio São Francisco estão bem preservados. Recentemente, ganhou um calçamento a base de “bloquetes”, no percurso até a entrada do parque.
Kaique, jovem como é, e levando-se em conta o fato de ter estudado Ciências do Estado com o professor Paulo Roberto Cardoso, tem pretensões de se eleger prefeito de São Roque de Minas.
Ele considera o município, dada a proximidade com o Parque Nacional da Canastra, como um dos melhores lugares para viver, com ar puro, qualidade de vida. Um dos exemplos de vida longa, lá, é do seu avô, que hoje está com 103 anos, “com cabeça e saúde boas”.
O avô de Kaique conta que o volume das águas do rio já não é como de 30 a 40 anos, e diante do projeto de transformá-lo em hidrovia pode fazer com que receba as atenções necessárias para torná-lo semelhante ao que era antes.
Kaique é fazendeiro na região e produz o queijo Canastra, que se tornou “Patrimônio Imaterial Cultural da Humanidade”, título concedido pela Unesco. Segundo ele, a região produz café arábica e frutas, mas está sofrendo os efeitos das tarifas imposta pelo presidente dos EUA, destino de quase toda a produção de frutas para a mesa dos norte-americanos.