Ato do 8 de janeiro realizado hoje, 08-01-2026 teve adesão de pouco mais de 1 mil pessoas - créditos: Cláudio Dantas
08-01-2026 às 17h38
Samuel Arruda*
Brasília, 8 de janeiro de 2026 — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou, nesta quinta-feira, uma cerimônia no Palácio do Planalto para marcar os três anos dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília. O evento se transformou em uma declaração política em defesa da democracia, mas foi marcado por baixa presença popular fora do núcleo governamental e da militância aliada.
A solenidade, que começou por volta das 10h no Salão Nobre do Planalto e com atividades também na Via N1 em frente ao Palácio, foi organizada pelo governo com discursos de autoridades e convidados para reforçar o papel das instituições brasileiras na preservação do Estado Democrático de Direito.
Durante mais de uma década no poder, Lula tem tratado o 8 de janeiro como um símbolo da resistência democrática após a invasão das sedes dos Três Poderes em 2023. No evento de hoje, ele defendeu que a democracia “precisa ser cuidada todos os dias” e reforçou que o Brasil teria “vencido” a tentativa de ruptura institucional ocorrida há três anos.
Um dos pontos centrais do ato foi o veto integral do presidente ao chamado “PL da Dosimetria”, projeto aprovado pelo Congresso no fim de 2025 que teria reduzido penas de condenados pelos ataques antidemocráticos — inclusive a de ex-presidente Jair Bolsonaro. Lula assinou o veto durante a cerimônia, posicionando-se contra qualquer medida que pudesse ser interpretada como anistia ou leniência.
Em seu discurso, Lula afirmou que a Constituição brasileira e as instituições democráticas resistiram ao desafio e que, apesar de tudo, o país deve continuar a expandir direitos sociais e participação popular.
Apesar da importância simbólica, o ato teve participação popular reduzida fora dos círculos governistas e militância petista. Reportagens internacionais e nacionais destacaram que a programação contou principalmente com apoiadores identificados com o PT e movimentos sociais tradicionais, com pouca presença de público em geral ou plateia espontânea na Praça dos Três Poderes.
Além disso, figuras políticas de peso institucional estiveram ausentes: presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, assim como membros do Supremo Tribunal Federal (STF), não participaram da solenidade — um sinal da dificuldade em transformar o evento em uma frente mais ampla de consenso político.
Reportagens estrangeiras também observaram que a organização antecipava que o evento não teria grande mobilização popular espontânea, citando fatores como a recessão de poderes em recesso e até condições climáticas em Brasília.
O 8 de janeiro de 2023 ficou marcado pelo ataque de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro às sedes dos Três Poderes, com invasão e depredação de prédios públicos em Brasília, um episódio que levou à prisão de centenas de pessoas e permanece como um símbolo de crise institucional no Brasil.
O evento de hoje, portanto, buscou relembrar essa data e reafirmar a defesa da democracia, mas encontrou desafios de atrair participação popular além do círculo político e partidário direto, levantando questionamentos sobre a abrangência e ressonância pública da iniciativa.
*Samuel Arruda é jornalista e articulista

