De novo o ano novo - créditos: divulgação
04-01-2026 às 15h16
Giovana Devisate
O tempo é incontrolável: nos enche de preocupações, não nos larga e nos deixa doidos com o seu passar… Gostaria de não falar sobre o tempo, mas é inevitável: estamos diante de novos 365 dias para os quais devemos olhar, com foco, coragem, confiança, fé e presença. Temos esperanças renovadas, novo calendário e recomeços, ficando no ar uma energia de “páginas em branco” a serem preenchidas. Clichê, eu sei, mas é a realidade.
Ano novo sempre chega acompanhado dessa atmosfera e eu entendo! Dificilmente conseguimos zerar algo e começar de novo, ainda que simbolicamente, mas o réveillon é isso, não é? Um recomeço, ainda que tudo esteja dentro da linha contínua que chamamos de vida.
Os planos que fizemos são renovados com a virada do ano. Mudamos e adaptamos os nossos desejos de acordo com as novas demandas que aparecem conforme vivemos. A gente cria listas onde registramos as metas que queremos alcançar e tudo mais que sonhamos realizar ao longo dos meses do ano. Fazemos manifestações, inclusive visuais e, verdadeiramente, acreditamos que a virada de ano é capaz de alinhar diversas coisas da nossa vida.
Cada ano traz consigo um novo aniversário, mas também mortes. Reais e simbólicas. É um período no qual pensamos nos anos que já se foram, nas histórias que vivemos, nas coisas que fizemos e refletimos sobre o que queremos carregar conosco para o novo ano e sobre o que escolhemos deixar para trás, no ano que passou. Aqui, tudo ganha uma atenção especial, porque também paramos para agradecer pelo que nos sustentou ao longo dos últimos 365 dias.
Na verdade, a passagem do ano por si só não é capaz de realizar nenhuma mudança imediata e drástica, mas marca um momento de ajuste, de convite à escuta. No entanto, é um dardo lançado no tempo como um convite para que mudemos por dentro. É nesse período que nos concentramos em alinhar as intenções, as expectativas, os medos, as possibilidades e os sonhos, é quando atravessamos um portal que não podemos ver, mas que nos deixa capazes de imaginar novas possibilidades. A esperança renovada nos permite enxergar novos horizontes.
Países diferentes têm tradições e costumes distintos. Por aqui, por exemplo, ainda que com variações de acordo com as regiões do país, a cor da roupa e da calcinha importam: cada uma tem um significado. Também pulamos as sete ondinhas, para fazer pedidos, atrair sorte e superar desafios. Deixamos flores para Iemanjá, em agradecimento e como pedido de proteção. Comemos uva, lentilha e romã, em busca de fartura e sorte.
Os signos, a numerologia, as cores, as crenças, a fé, tudo tenta nos dizer sobre o ano que chega, sobre as novas chances, sobre os desafios e vitórias. A virada de ano, diferente de todos os outros feriados, é muito simbólica, linda, especial e ritualística. A gente enche essa data de novos significados, reza para que o próximo ano seja melhor e torce por saúde, amor, dinheiro e prosperidade.
Colocamos uma carga gigantesca no novo ano, que chega singelo, livre de qualquer responsabilidade, mas com olhares de nós, predadores, que projetamos nele todas as nossas expectativas, deixando em sua mão o nosso futuro, a nossa vida e a nossa história. Acredito que isso aconteça porque, na realidade, esquecemos que todos os dias do ano são factíveis de recomeços.
Taryn Szpilman, cantora, atriz e dubladora, em recente postagem no instagram, disse que “somos infinitos em uma experiência finita, a chave é não desperdiçar a benção desta vivência”. Fiquei com isso no coração.
Deixamos muitas coisas para o próximo ano, para depois, para outra hora, enquanto existem muitas coisas que podemos começar em qualquer momento da vida. Somos infinitos, em uma experiência finita: que possamos confiar nos ciclos, na vida, no que ela separou para nós. Torço para que possamos continuar com os bons projetos que imaginamos antes, sem mais esperar estarmos prontos: espero que esse recomeço seja muito mais sobre coragem.
Recomeços precisam de consciência, entrega, confiança nos caminhos da vida e um coração gigante, aberto para o mundo, para receber aquilo que merece. Recomeços são alimentados pela esperança que, como dizia Voltaire, é um alimento da nossa alma. Precisamos de esperança e precisamos de coragem para agir, para transformar a esperança em expectativa e esta em realização.
Desejo que possamos não deixar de sonhar neste ano que começou! Desejo que o novo ciclo, aberto a todas as possibilidades de alegria, seja bem mais sobre confiança: em você, no espaço, no céu, nas estrelas, nos outros, no mundo, nos lugares, nos sentimentos e na vida. Espero que haja lugar e tempo para erros, experimentos, frustrações e, especialmente, para honrar a sensibilidade que a vida nos deu. Desejo que possamos perceber os dias de sol e de chuva, abraçando-os e percebendo que a vida é um pouco sobre sob

