Encontro dos novos Acadêmicos da ALVA - Academia de Letras do Vale do Jequitinhonha, recepcionados pelo seu presidente e acadêmicos mais antigos no restaurante Taboca em BH - créditos: dr. Caio Lopes
07-03-2026 às 14h06
Soelson B. Araújo*
No coração cultural de Minas Gerais, onde a terra vermelha encontra o canto antigo dos rios e das montanhas, floresce uma instituição que mais parece poesia viva. A ALVA Academia de Letras do Vale do Jequitinhonha é mais do que uma academia: é um abrigo para a memória, para a arte e para a alma do Vale.
Fundada pelo poeta, compositor e guardião das tradições do sertão mineiro, Tadeu Martins, a ALVA nasceu com o espírito da cantoria e da palavra. Tadeu, conhecido como o Menestrel do Vale, também foi um dos criadores do histórico Festivale, evento que ao longo das décadas transformou o Vale em palco de resistência social, cultural, música e poesia.
Ali, na ALVA, não há muros entre as artes e o saber. Sentam-se à mesma mesa poetas e cientistas, compositores e professores, jornalistas e pesquisadores. Entre seus membros estão artistas que carregam na voz o sotaque profundo do Vale, como Paulinho Pedra Azul, Rubinho do Vale e o irreverente Saulo Laranjeira, filho da cultura de Pedra Azul.
A academia também reúne nomes da vida pública e intelectual, como o deputado e ex-ministro Patrus Ananias, ex-prefeito de Belo Horizonte, cuja trajetória política sempre dialogou com as causas sociais e culturais de Minas e do Vale.
Entre os pensadores que dão densidade científica à instituição está o médico, professor, neurocirurgião e pesquisador, Dr. Sebastião Gusmão de Itamarandiba, cuja presença simboliza a união entre ciência e sensibilidade – porque, no Vale do Jequitinhonha, até o conhecimento acadêmico aprende a falar a língua da poesia.
Agora, a ALVA abre novamente suas portas para acolher novas vozes que chegam para enriquecer ainda mais esse coro cultural.
Entre os novos membros eméritos está o cantor, compositor e médico Arlinso Maciel, cuja arte nasce do encontro entre a medicina do corpo e a música da alma. Ao seu lado chega também Dr. Huguinho Lopes, médico, músico e promotor cultural de Turmalina, conhecido por sua dedicação incansável à valorização das tradições do Vale.
Completa esse trio de novos eméritos a sensível Rosarinha Coelho, cuja presença reforça a delicadeza e a força feminina no cenário cultural da academia.
Com uma rede de correspondentes do Vale, do Brasil e do exterior, a ALVA também se expande através desses novos membros, que ajudam a levar o espírito do Vale para além de suas montanhas. Entre eles estão Clênio Figueiredo Salviano, Evandro Miranda, Francisco Vilas Boas, Giano Lopes Nepomuceno, Lucas Assunção, Professora Das Dores, Neiton Lima, Tin Tin Alves e Santuza Tu.
Entre esses nomes também está o jornalista, escritor e CEO do tradicional jornal Diário de Minas, que ajuda a registrar, defender e divulgar as histórias, os sonhos e as lutas socioeconômicas e culturais do Vale e do estado.
O Vale do Jequitinhonha escreve sua própria história, e a cultura sempre foi uma forma de resistência. Entre secas e distâncias, o povo aprendeu a transformar dificuldades em canto, barro em arte e memória em literatura.
É por isso que a ALVA Academia de Letras do Vale do Jequitinhonha não é apenas uma instituição literária. Ela é um gesto coletivo de amor pela identidade do Vale.
Ali, cada poema guarda um pedaço de estrada de terra.
Cada canção carrega o eco das feiras, das folias e das festas populares.
E cada novo membro que chega não ocupa apenas uma cadeira — ocupa um lugar na história viva de um território onde a cultura não se escreve apenas com tinta, mas com afeto, luta e pertencimento.
Porque no Vale do Jequitinhonha, a palavra nunca foi apenas palavra.
Ela é canto.
Ela é memória.
Ela é futuro.
*Soelson B. Araújo é empresário, jornalista, escritor e CEO do Diário de Minas

