
Créditos: Divulgação
29-08-2025 às 09h23
Alberto Sena*
“Apolo”, “Apóllõn”, “Apellõn” são nomes de divindades principais da mitologia greco-romana. Como nome, acredita-se que sejam fortes e os são até pelo fato de terem resistido há tanto tempo e ter chegado aos nossos dias.
O professor Apolo, de sobrenome Heringer Lisboa, médico sanitarista e ambientalista de raiz, pelos sinais que já deu ao longo de boa parte dos seus 81 anos e ainda dá nos nossos dias, faz jus à força do nome que carrega, ao ponto de ser agente de transformações socioeconômicas e políticas no âmbito universal.
Ainda agorinha, em conversa com ele, dizia o professor sobre o seu Projeto Meta 2034, idealizado para “renaturalizar” o Rio das Velhas tão entropicamente maltratado, quando devia ser venerado porque, a princípio, suas águas rolam para perpetuar a vida dele próprio e nossa mais a dos animais.
Mas a realidade do Rio das Velhas, neste agosto de 2025, não é essa, mas de um caudal escuro, malcheiroso. Envenenado por todo tipo de agente poluidor, a partir do esgoto urbano e industrial, mais substâncias químicas várias.
Ele, Apolo, autor do projeto anterior e bem-sucedido, Meta 2010, volta à cena com o Meta 2034, tendo como ponto de partida o trecho do Rio das Velhas que passa pelos municípios da Grande Belo Horizonte.
A meta dele, que certamente irá precisar contar com parcerias várias a partir das administrações de cada um dos municípios e de gente bem-intencionada e interessada em resgatar o rio, é chegar ao ponto de nele nadar com os peixes.
Para Apolo, a execução do Meta 2034 “é necessária, inadiável, legal, exequível e de caráter socioambiental, e prioridades do uso da água”. O fundamental é inculcar nas cabeças e nas almas das pessoas que o Rio das Velhas poderá, sim, senhor ou sim senhora, voltar a ser fonte de alimento de milhões de famílias; piscoso.
O momento coincide com as ações do Governo Federal no sentido de adotar hidrovias como forma de desafogar as rodovias brasileiras, que, comprovadamente, são vias mais caras do que as hidrovias, e exigem manutenção constante. As hidrovias têm ainda a seu favor a capacidade reduzir a poluição atmosférica, ao mesmo tempo em que chamam a atenção para a utilização 100% dos rios.
No caso da bacia do rio das Velhas, com a implementação do Projeto Meta 2034, além de promover a saúde e o desenvolvimento, é uma hidrovia natural das populações ribeirinhas em termos de comércio e relações sociais.
Vamos acompanhar, ao lado de Apolo a implementação do seu projeto, que pode vir a ser um modelo para recuperação de outros rios, mineiros e brasileiros, antes que seja tarde, porque o uso está maior do que a oferta de água, e as mudanças climáticas não contribuem positivamente.
*Alberto Sena é jornalista