
Tarifaço de Donald Trump é um retrocesso para o livre comércio global - créditos: divulgação
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05-04-2025 às 08h08
Direto da redação
Exportações desses produtos pelo Brasil terão queda de 743 milhões de sucos de laranja e mais de 17 toneladas de carne bovina para os Estados Unidos, após o tarifaço anunciado por Donald Trump nesta semana. Esse é o alerta feito pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Nesta nota a entidade pede que o Brasil providencie medidas urgentes por via diplomática com o objetivo de negociar com o governo americano.
Conforme informa a CNA, esse protecionismo de Trump afetará não só o Brasil, mas a maior parte dos países produtores do agronegócio. A Confederação alerta ainda que, novas taxas poderão ser impostas pelo governo americano e disse: “Caso o governo dos EUA considere que as medidas anunciadas não sejam eficazes na resolução do déficit comercial geral.
Esta alíquota geral de 10% imposta aos produtos brasileiros, o produto que será mais prejudicado será o suco de laranja. Esse produto já tinha uma taxa de 5,9% e, agora, com a sobretaxa, atingirá os 15,9%. Em 2023, o Brasil exportava por volta de 1 bilhão de litros aos Estados Unidos, mas após esse tarifaço o volume deve ter uma queda de aproximadamente 261 milhões de litros.
Já em se tratando da carne bovina exportada, já era cobrado um imposto de 33%, agora o tributo subirá para 43%. Essa exportação deverá ter queda de 73 mil toneladas para 45 mil. Já os demais produtos exportados pelo brasil que poderão ser impactados são o arroz, feijão, a cana de açúcar e o álcool.
“Cabe ao governo brasileiro seguir explorando a via negociadora com os EUA para buscar mitigar as tarifas anunciadas e alcançar benefícios mútuos para ambas as nações”, recomendou a CNA ao rechaçar esta retaliação. Apesar do tarifaço adotado por Donald Trump, o Congresso brasileiro, que estava atento, aprovou o PL 2088/2023, que cria a Lei da Reciprocidade. O texto já seguiu para obtenção da sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Deve ser utilizado apenas após o esgotamento dos canais diplomáticos, para defender os interesses brasileiros. A Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) defende o livre comércio por meio de acordos que diversifiquem mercados, aumentem a renda dos produtores e ampliem o acesso de produtos agropecuários ao consumidor”, disse a entidade.
A CNA informou ainda que, os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos totaliza US$ 12,1 bilhões, registrado no balanço de 2024. Ano passado, diversos produtos do agronegócio tiveram os EUA como o terceiro destino principal, ficando atrás apenas de União Europeia e China.
“Ao longo dos últimos dez anos, a participação dos EUA na pauta exportadora do agronegócio brasileiro sempre figurou entre 6% e 7,5%”, cravou a CNA. Os produtos brasileiros que lideram as exportações ao território norte-americano são:
- Café verde
- Celulose
- Sucos de laranja
- Carne bovina in natura
- Madeira Perfilada
- Açúcar de cana em bruto
- Obras de marcenaria ou carpintaria
- Carne bovina industrializada
- Madeira compensada ou contraplacada
- Sebo Bovino
“Os produtos mais afetados serão os que o Brasil já é altamente representativo no total das importações dos EUA, isso porque, nestes casos, o Brasil não teria ‘espaço’ para ganhar de um eventual concorrente, sendo o único ou principal país afetado. É o caso dos sucos de laranja resfriados e congelados, onde o Brasil responde por 90% e 51% das compras americanas, respectivamente; da carne bovina termo processada, com 63%; e do etanol, com 75%”, completou a CNA.
Fonte: Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil