Créditos: Magnific
29-09-2026 às 09h13
Andressa Gonçalves*
A Cultura Organizacional é colocada à prova em situações que exigem decisões concretas. Momentos de pressão por resultados, conflitos entre equipes, erros operacionais ou mudanças de estratégia revelam se os valores declarados pela empresa também orientam suas práticas cotidianas.
Uma organização pode defender colaboração, inovação e valorização das pessoas, mas como esses princípios são aplicados quando surgem desafios? Como a liderança reage diante de um erro? O que é reconhecido, tolerado ou corrigido quando existe uma tensão entre os valores declarados e as necessidades da operação?
Para Monclair Cammarota, especialista em Cultura Organizacional, é nesses momentos que a cultura se torna mais evidente. “A cultura aparece principalmente quando existe pressão. É nesse momento que descobrimos quais comportamentos realmente são valorizados, quais são tolerados e quais são corrigidos”, afirma.
A questão, portanto, não está apenas no que a empresa comunica, mas também naquilo que seus processos, sistemas e lideranças reforçam diariamente. Se uma organização afirma valorizar a colaboração, mas seus mecanismos de reconhecimento privilegiam exclusivamente resultados individuais, há uma diferença entre a cultura declarada e a experiência vivida pelos colaboradores.
Quando a prática contradiz o discurso
Essa distância pode ser identificada em diferentes etapas da jornada profissional: nos processos de avaliação, nos critérios de reconhecimento, nas decisões das lideranças, na forma como erros são tratados e nos comportamentos que acabam sendo repetidos ou naturalizados. “Não adianta declarar um valor se as experiências que as pessoas vivem todos os dias comunicam outra coisa. É preciso observar o que o sistema está ensinando”, afirma Monclair.
A análise desloca a discussão sobre cultura para o funcionamento efetivo da organização. Mais do que identificar quais são seus valores, é necessário observar quais comportamentos eles estimulam e quais consequências estão associadas a eles. Nesse contexto, coerência cultural não significa eliminar conflitos ou garantir que todas as decisões sejam perfeitas. Significa verificar se aquilo que a organização declara valorizar está de fato presente nas experiências, nos processos e nas decisões que fazem parte da rotina.
É nessa relação entre intenção e prática que a cultura se torna visível. A partir dessa leitura, a organização pode identificar contradições e ajustar experiências e sistemas para aproximar a realidade cotidiana da cultura que pretende construir.
Sobre Monclair Cammarota – Monclair Cammarota é empresário, fundador da Ekoá Design de Experiências, está à frente da PACTO e atua como Diretor de Cultura e Pessoas do Hospital The One. Sua trajetória é construída na interseção entre aprendizagem, comportamento, Design de Experiências e transformação organizacional. Ao longo de sua carreira, passou por aprendizagem ativa, jogos empresariais, gamificação, experiências digitais, facilitação e desenho de jornadas, até aprofundar sua atuação na construção e transformação da cultura organizacional. À frente da Ekoá, desenvolveu projetos para organizações públicas e privadas, instituições financeiras, Sistema S e organizações de saúde, incluindo Banco do Brasil, CAIXA, Banco Central, ENAP, Sebrae, TCU, Embrapa e Fundo Nacional de Saúde. No contexto da saúde, no Hospital The One a visão encontra um ambiente vivo de prática e desenvolvimento, aproximando estratégia, experiência cotidiana, liderança, comportamento e evidências.

