Créditos: Divulgação/Unique Stone
24-09-2026 às 16h31
Bernardo Imperial*
O Brasil fechou 2025 com recorde nas exportações de rochas naturais: US$1,48 bilhão, alta de 17,5%, segundo o Centrorochas. Mais da metade desse valor veio dos Estados Unidos, que responderam por 53,6% das vendas. É justamente esse mercado que começou este ano sob novas regras comerciais.
Desde julho, granitos, mármores e ardósias passaram a enfrentar uma tarifa adicional de 25% nos Estados Unidos. Os quartzitos ficaram fora dessa cobrança específica, mas passaram a sofrer uma tarifa adicional de 12,5% por outra medida americana. Dependendo da aplicação das medidas, algumas rochas podem chegar a uma alíquota adicional de 37,5%.
Para a mineração, o impacto vai além do preço final. Uma operação começa muito antes do embarque, com decisões sobre jazida, extração, aproveitamento dos blocos, beneficiamento e destino da produção. Quando uma tarifa muda, não é possível simplesmente redirecionar tudo de uma hora para outra.
Os próprios números mostram como os produtos têm comportamentos diferentes. Em 2025, as exportações de granitos caíram 8,7% e as de mármores, 7,5%. Os quartzitos, por outro lado, cresceram. No primeiro semestre de 2026, movimentaram US$428,5 milhões, alta de 6,7%, e responderam por 60,3% da receita das exportações brasileiras de rochas naturais.
É por isso que a decisão comercial precisa começar na origem. Custo de extração, qualidade da rocha, beneficiamento, logística e demanda precisam ser avaliados juntos. Uma mudança no país comprador pode alterar a margem de uma operação planejada meses antes.
Os Estados Unidos continuam sendo o principal destino, mas a concentração aumenta a exposição. Em 2025, o Brasil exportou rochas naturais para 132 países, sete a mais que no ano anterior. Diversificar não significa apenas encontrar novos compradores, mas entender quais produtos fazem sentido em cada mercado e quanto custa chegar até eles.
No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras de rochas naturais somaram US$711,1 milhões, queda de 4,2% na comparação anual. Em junho, porém, chegaram a US$165,2 milhões, alta de 34,1% e recorde mensal.
O setor continua tendo espaço no mercado internacional, mas as decisões precisam ser cada vez mais precisas. O Brasil tem uma diversidade de rochas que poucos países conseguem oferecer. Transformar essa vantagem em negócio depende de conhecer não apenas a jazida, mas também o mercado que está do outro lado.
O recorde de 2025 mostrou o potencial das rochas brasileiras. As mudanças de 2026 reforçam que produzir bem é apenas parte da equação: é preciso saber para quem vender, em quais condições e com qual margem.
Sobre Bernardo Imperial
Bernardo Imperial é CEO e fundador da Unique Stone, boutique referência no mercado internacional de pedras naturais de alto padrão. Com forte domínio técnico, processos únicos e um atendimento exclusivo que transformou a marca em símbolo de luxo, Imperial segue expandindo a Unique Stone internacionalmente, guiado por valores de trabalho duro, lealdade e paixão pelas pedras brasileiras.

