Márcia Bello interpreta "Dona Margarida" no clássico de Roberto Athayde
04-09-2026 às 16h39
Fabiana Sobral*
Uma noite de humor e reflexão marcou a programação do Justiça em Cena, do Centro Cultural do Poder Judiciário (CCPJ), na última terça-feira (1º/9). O público que esteve na sala multiuso do Edifício Desembargador Caetano Pinto de Miranda Montenegro foi convidado a voltar aos tempos de escola durante a leitura dramatizada de Apareceu a Margarida, clássico do dramaturgo Roberto Athayde.
Traduzida para mais de 30 países e encenada em mais de 250 produções, a obra completa 55 anos em 2026. Na montagem apresentada pelo CCPJ, a plateia assumiu o papel de uma turma de estudantes do ensino fundamental, em uma sala de aula comandada pela professora Dona Margarida, interpretada pela atriz, diretora teatral e dramaturga Márcia Bello.
Na trama, a professora tenta impor aos alunos suas regras e metodologias, em uma relação marcada pelo autoritarismo e pelo controle. Com humor e sátira, a peça provoca uma reflexão sobre as diferentes manifestações do poder e sobre os mecanismos de controle e conformidade aos quais o indivíduo é submetido desde a infância.
Para a desembargadora Cristina Tereza Gaulia, magistrada responsável pelo Centro Cultural do Poder Judiciário, a realização da peça no espaço contribui para aproximar o público da produção artística e ampliar o diálogo entre cultura, sociedade e Judiciário.
“O Centro Cultural do Poder Judiciário tem a missão de sensibilizar o nosso público interno e externo para as grandes encenações teatrais e, sem dúvida nenhuma, Apareceu a Margarida faz parte da história do Brasil. É uma peça extremamente potente do ponto de vista político, que aborda aspectos da opressão e da liberdade de expressão”, afirmou.
A desembargadora também destacou a participação do chefe do Serviço Educativo do Centro Cultural, W. B. Lemos, que interpretou um dos alunos. Segundo ela, a presença de um colaborador do TJRJ no elenco reforça a proposta de integração entre a arte, magistrados, servidores e colaboradores do Tribunal e a sociedade.
Experiência com o autor
Nesta temporada, Roberto Athayde assumiu, pela primeira vez, a direção da própria obra. Primeira atriz brasileira dirigida pelo dramaturgo, Márcia Bello ressaltou a experiência de trabalhar diretamente com o autor e a responsabilidade de interpretar uma personagem que atravessa gerações.
“Ser dirigida pelo autor é muito especial, uma responsabilidade muito grande. Ao longo desses 55 anos, ele já viu essa peça milhares e milhares de vezes e sabe cada detalhe dela. A importância desse texto é infinita porque trata de um assunto que a gente precisa conversar nos dias de hoje”, ressaltou.
A leitura dramatizada de Apareceu a Margarida permanece em cartaz no Centro Cultural do Poder Judiciário nos dias 2, 8 e 9 de setembro.
Serviço
Espetáculo: Apareceu a Margarida
Local: Centro Cultural do Poder Judiciário – sala multiuso do Edifício Desembargador Caetano Pinto de Miranda Montenegro
Datas: 2, 8 e 9 de setembro
Ingressos: Retirada de ingressos pela plataforma Sympla
DA*/ SF
*Estagiário sob supervisão
Legenda: Márcia Bello interpretou “Dona Margarida” no clássico de Roberto Athayde

