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25-08-2026 às 13h33
Cris Landi*
No dia 26 de agosto, o calendário celebra um dos animais mais presentes na vida das pessoas: o cachorro. Para muitas famílias, eles deixaram de ser apenas animais de companhia e passaram a ocupar o lugar de verdadeiros membros da casa. Mas o que explica essa relação tão próxima entre humanos e cães?
Segundo a psicóloga Juliana Sato, especialista em vínculo humano-animal e luto pet, parte da resposta está em uma história de convivência construída ao longo de milhares de anos. Durante o processo de domesticação, os cães desenvolveram grande capacidade de interação social com os seres humanos, aprendendo a observar gestos, buscar proximidade e estabelecer relações de cooperação. A popularidade dos cachorros, porém, também está relacionada a fatores culturais e sociais.
Existem ainda evidências de que os cães conseguem estabelecer com seus responsáveis características de uma relação de apego. A presença da pessoa pode funcionar como uma espécie de “base segura”, enquanto a participação dos animais na rotina familiar ajuda a explicar por que eles são percebidos, muitas vezes, como membros da família. “Os cães observam nossos comportamentos, respondem à nossa comunicação e acompanham diferentes momentos da vida familiar”, afirma Juliana.
Porém, a proximidade com os cães não significa que qualquer pessoa esteja preparada para ter um animal. Para Juliana, antes de pensar “eu quero um cachorro?”, é mais importante perguntar: “eu consigo oferecer uma vida adequada para esse cachorro?”.
Tempo disponível, condições financeiras, moradia, rotina de trabalho, viagens, presença de crianças ou outros animais e disponibilidade para cuidados veterinários são alguns dos fatores que precisam ser considerados. Também é importante lembrar que a adoção representa um compromisso de longo prazo. “Amor é fundamental, mas sozinho não garante uma adoção responsável”, alerta.
Outro cuidado é não buscar o chamado “cachorro ideal”, mas aquele que seja compatível com a rotina da família. Idade, temperamento, histórico e nível de atividade devem ser levados em conta, e não apenas raça ou aparência. “Um dos principais erros é adotar o cachorro imaginado e não considerar o cachorro real”, afirma a psicóloga.
Vínculo se constrói sem pressa – Depois da adoção, é preciso dar tempo para que o animal se adapte ao novo ambiente. Estabelecer uma rotina, permitir que ele explore gradualmente o espaço, respeitar quando procura distância e observar sua linguagem corporal são atitudes importantes. “Afeto também significa não forçar contato, colo ou interação. O vínculo vai sendo construído nas pequenas experiências cotidianas em que o cachorro percebe que aquela pessoa é previsível e segura”, explica Juliana.
A história anterior do animal não precisa determinar sua capacidade de criar novos vínculos. Estudos mostram que até cães que passaram por abrigos conseguem estabelecer relações seguras com novos responsáveis. Para Juliana, esse é um dos principais aprendizados da adoção: “Amar um cachorro não é apenas trazê-lo para a nossa vida. É também aprender quem ele é e construir uma relação na qual as necessidades dos dois possam ser respeitadas”.
Sobre Juliana Sato – Juliana Sato é psicóloga formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, com certificação internacional em luto pet pela Association for Pet Loss and Bereavement, e organizadora dos livros Luto no Contexto da Medicina Veterinária e Grief in the Veterinary Medicine. Atua em saúde mental no universo pet, com foco em vínculo humano-animal, além de consultorias, mentorias e iniciativas voltadas ao bem-estar emocional no setor veterinário.

