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22-08-2026 às 14h26
Samuel Arruda*
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o deputado federal Patrus Ananias, ambos do PT, participaram na noite desta sexta-feira (21) de um grande ato político na Praça da Estação, no Centro de Belo Horizonte. O evento reuniu militantes, integrantes de movimentos sociais e aliados das candidaturas petistas.
Com estrutura de grande porte, incluindo palco e telões, o encontro teve discursos dos principais nomes da chapa. Lula iniciou sua fala relembrando antigos integrantes do PT em Minas Gerais e histórias ligadas à trajetória do partido. A partir dessas lembranças, porém, o presidente direcionou críticas ao seu principal adversário na disputa presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), sem mencionar diretamente seu nome.
Em tom crítico, Lula afirmou que há políticos que, segundo ele, não possuem trajetória suficiente para apresentar propostas para o futuro. “Gosto de falar do passado para reconstruir o futuro que eu quero para esse país”, declarou.
Mesmo com a voz debilitada, o presidente fez um discurso extenso, no qual também homenageou o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e destacou sua relação histórica com o Vale do Jequitinhonha. A educação foi apresentada como uma das prioridades de seu projeto de governo.
Lula também defendeu mudanças sociais que classificou como uma espécie de “revolução” baseada no comportamento e na ampliação de direitos. Segundo ele, essa transformação deve ocorrer sem violência.
Patrus apresenta propostas para Minas
Candidato do PT ao governo de Minas Gerais, Patrus Ananias fez um discurso voltado à apresentação de propostas e críticas à atual administração estadual.
O ex-prefeito de Belo Horizonte iniciou sua fala defendendo o Sistema Único de Saúde (SUS) e questionando medidas adotadas durante os governos de Romeu Zema (Novo). A educação também ganhou destaque, com Patrus prometendo fortalecer instituições como a Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) e a Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes).
Outro tema abordado foi a exploração das chamadas terras raras. Patrus defendeu que Minas Gerais tenha maior participação no aproveitamento econômico desses recursos e criticou a exportação de matérias-primas sem agregação de valor.
Para o candidato, o estado deve evitar repetir episódios históricos em que riquezas minerais foram enviadas para outros países sem que os benefícios econômicos permanecessem em Minas Gerais.
Patrus fala em reestatização da Copasa
Patrus também defendeu a manutenção da Cemig sob controle estatal e afirmou que pretende discutir a possibilidade de reestatização da Copasa.
A participação majoritária do governo mineiro na companhia de saneamento foi recentemente vendida à iniciativa privada. Segundo Patrus, uma eventual retomada da empresa dependeria de questões jurídicas e econômicas e poderia levar anos.
O candidato afirmou ainda que, caso eleito, pretende cobrar da empresa o cumprimento das metas relacionadas à universalização dos serviços e utilizar eventuais descumprimentos como base para discutir uma futura retomada do controle estatal.
Além de Lula e Patrus, participaram do evento Geraldo Alckmin, candidato a vice-presidente, Jarbas Soares (PSB), candidato a vice-governador, e as candidatas ao Senado Marília Campos (PT) e Áurea Carolina (PSOL).
Marília Campos destaca participação feminina na política
A ex-prefeita de Contagem e candidata ao Senado Marília Campos foi a primeira integrante da chapa a discursar. Ela afirmou que pretende representar os municípios e atuar como uma voz das mulheres no Senado.
Durante sua fala, Marília destacou a baixa presença feminina na representação mineira na Casa. Segundo ela, em mais de dois séculos de história do Senado, Minas Gerais teve apenas uma mulher eleita para o cargo: Júnia Marise.
Áurea Carolina pede apoio aos eleitores de esquerda
Na sequência, Áurea Carolina, candidata ao Senado pelo PSOL, direcionou sua fala principalmente ao público jovem.
A ex-deputada federal lembrou que, nas eleições deste ano, os eleitores mineiros terão direito a dois votos para o Senado e defendeu uma votação conjunta com Marília Campos.
Áurea também abordou temas relacionados à democracia e fez referência aos ataques de 8 de janeiro de 2023, defendendo medidas contra iniciativas que, segundo ela, representem ameaças às instituições democráticas.
Janja destaca mulheres mineiras e Clube da Esquina
A primeira-dama Janja Lula da Silva também participou do ato e dedicou parte de seu discurso à valorização de mulheres que tiveram destaque na história de Minas Gerais e do país.
Ela citou a escritora Conceição Evaristo, a ex-vereadora Helena Greco, a poeta Adélia Prado e a ex-presidente Dilma Rousseff.
Janja também homenageou o Clube da Esquina, movimento musical mineiro que marcou a música brasileira. Ao mencionar Milton Nascimento e Lô Borges, afirmou que os artistas tiveram importância em sua formação musical e declarou admiração pela obra do grupo.

