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07-08-2026 às 12h43
Cris Miranda*
A proximidade das eleições costuma trazer um componente adicional de atenção para empresários, investidores e consumidores. Em Minas Gerais, estado que possui forte participação da indústria, da mineração, do agronegócio e do comércio na economia nacional, o período eleitoral pode influenciar desde decisões de investimento até a geração de empregos e o comportamento das famílias.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou, recentemente, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), que caiu 2,3 pontos e atingiu 44,4 pontos em julho de 2026 na comparação com o mês anterior, registrando a segunda queda consecutiva e a 19ª leitura seguida abaixo da linha dos 50 pontos. O resultado representa o menor patamar desde junho de 2020 e reflete um cenário de maior pessimismo entre os empresários do setor.
O indicador demonstra que a percepção do setor produtivo sobre o cenário econômico exerce influência direta sobre os planos de expansão das empresas. Em momentos de maior incerteza, a tendência é que decisões estratégicas sejam tomadas com mais cautela.
De acordo com o professor Ari Araujo Junior, coordenador do curso de Ciências Econômicas do Ibmec-BH, esse comportamento é comum em períodos de indefinição política.
“Em momentos de maior incerteza eleitoral, parte das empresas tende a postergar decisões de investimento até existir maior clareza sobre o cenário econômico e regulatório, tanto no curto quanto no médio prazo. Isso acontece porque as organizações procuram reduzir riscos e compreender de que forma as futuras decisões governamentais poderão afetar os seus negócios”, afirma Ari Araujo.
Para o professor do Centro Universitário Newton Paiva Wyden, Franz Petrucelli, é natural que o período pré-eleitoral seja marcado por maior cautela e pelo adiamento de decisões estratégicas.
“Conforme apontam os dados de confiança industrial, a ausência de previsibilidade política leva empresas a repensarem planos de expansão, como também qualquer tipo de contratação para mitigar riscos. Essa retração ecoa diretamente no comportamento das famílias, que adiam compras de maior valor, criando um ciclo de desaceleração que afeta com intensidade os números da economia mineira, fortemente impulsionada pela indústria e pelas exportações”, disse.
A reação do mercado financeiro também costuma ser imediata. A expectativa em torno das propostas apresentadas pelos candidatos pode influenciar a percepção de risco dos investidores e provocar oscilações em indicadores importantes.
“O mercado financeiro costuma incorporar as expectativas relacionadas aos candidatos, às políticas econômicas e às perspectivas para a taxa de juros, o câmbio e a atividade econômica. Em períodos eleitorais, é natural observar uma volatilidade maior, especialmente quando há dúvidas sobre a condução da política econômica”, explica o coordenador do Ibmec-BH, Ari Araujo Junior.
Entre os segmentos mais sensíveis a esse contexto estão aqueles que dependem diretamente de investimentos públicos ou de regras específicas de regulação.
“Setores como infraestrutura, energia, mineração e serviços financeiros costumam acompanhar com bastante atenção o ambiente político, justamente porque muitas decisões governamentais podem influenciar a dinâmica desses mercados”, explica o professor Ari.
As mudanças de comportamento também podem ser percebidas entre os consumidores. A incerteza em relação ao futuro da economia leva muitas pessoas a adiar decisões de compra e a priorizar a organização das finanças.
“Em alguns casos, os consumidores adotam uma postura mais cautelosa, especialmente quando se trata da aquisição de bens de maior valor. A previsibilidade é um fator importante para a tomada de decisões, e o ambiente eleitoral pode influenciar esse processo”, informa Ari Junior.
A confiança empresarial e as perspectivas de geração de empregos também entram nessa equação. Segundo Ari Araujo Junior, o cenário político é apenas um dos elementos que interferem no desempenho da economia, mas exerce um papel relevante na definição das estratégias adotadas pelas empresas.
“A confiança empresarial pode ser influenciada pelo ambiente político, afetando planos de expansão e, consequentemente, de contratação. Ao mesmo tempo, é importante considerar outros fatores, como o nível da atividade econômica, a inflação, a taxa de juros e as condições do mercado de trabalho. Não há dúvida, entretanto, de que o período eleitoral exerce uma influência importante sobre a economia”, conclui o coordenador do Ibmec-BH.
Indústria, comércio e serviços respondem por 68,9% do valor exportado em Minas
Segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio e Serviços, a indústria é a principal geradora de divisas de Minas Gerais, respondendo por cerca de 68,9% do valor exportado pelo estado.
Em 2025, o setor industrial exportou US$ 31,6 bilhões, principalmente para mercados como China, Estados Unidos, Europa e Argentina.
De acordo com dados da Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais (SEF-MG), o setor industrial também é o principal responsável pela arrecadação tributária estadual.
Juntas, as atividades extrativas e de transformação responderam por 50% do ICMS arrecadado em Minas Gerais. Quando são incluídas as atividades de distribuição de energia, essa participação alcança 58,8% do total arrecadado no estado em 2025.

