Créditos: Magnific
09-08-2026 às 12h38
Roberto Morais*
Os chineses chegaram com tudo. Evoluíram muito na produção de veículos automotores
e, particularmente, no caso dos elétricos, estão na vanguarda mundial. Conseguem fazer tudo
mais barato na terra deles, mesmo com um acabamento muito bom e uma boa sofisticação
tecnológica. Pelo menos 3 grandes fabricantes aportaram por aqui e já temos mais de 50
modelos elétricos ou híbridos comercializados em território nacional, de montadoras chinesas,
japonesas, suecas, sul-coreanas, alemãs e italianas. Mas vale a pena ter um BEV (Battery Electric
Vehicle) por agora?
Para quem possui uma condição financeira bem tranquila, pode ser uma boa opção para
ser o 2o ou 3o carro da família. Em São Paulo, onde estão imunes ao rodízio de placas, mais
ainda. O veículo 100% elétrico de custo “intermediário” tem uma autonomia na faixa dos 250
km, logo, é razoável que se pense em rodar só nos centros urbanos, até porque ainda temos
poucos postos de recarga espalhados pelo Brasil.
No caso dos híbridos a situação começa a melhorar, pois na existência de dois
propulsores atuando conjuntamente, se a bateria acabar, você continua pelo motor da fumaça
mesmo. Mas aqui temos um grande inconveniente, um automóvel híbrido-plug-in pesa a partir
de 1,2 tonelada e foi projetado para ter uma determinada performance utilizando-se os dois
motores. Sem a eletricidade, o carro perde algo em torno de 30% – ou mais – de sua força motriz
(é muita coisa) e o condutor terá que administrar essa perda até conseguir carregar a bateria
novamente. Dentro dos centros urbanos nem chega a ser um enorme problema, mas em
rodovias (onde o sistema tende a recuperar carga com mais dificuldade) a atenção precisa ser
redobrada, especialmente nas ultrapassagens.
E os híbridos leves? Estes, considero ótima opção pelo fato de terem motores à
combustão os tracionando, muitas vezes sobrealimentados por um turbo (ajuda a ter um
consumo mais baixo e um desempenho bem melhor). Apresentam grande vantagem no assunto
manutenção porque trata-se de mecânica convencional, por demais conhecida pelas oficinas e
preços de reparossemelhantes. Possuem geradores (geralmente de 48 volts) que, sob ritmo que
não requeira tracionamentos constantes, assumem o deslocamento do carro no modo
“navegar”, mantendo a velocidade e causando o desligamento automático do motor, gerando
assim, economia de combustível. Se esse gerador der problema, além de não comprometer o
funcionamento e o desempenho do automóvel, terá um custo razoável a reparação. E a emissão
de gases? Vai ser obviamente maior comparando aos full e híbridos plug-in e um pouco menor
que os veículos somente à combustão.
Bom, o “calcanhar de Aquiles” está na manutenção dos eletric-full. Refiro-me à parte
motriz e também à reposição de componentes, peças e até pneus (alguns só encontrados em
loja oficial de fábrica). As fábricas oferecem garantias de 3 a 6 anos para seus produtos, desde
que os consertos sejam feitos somente por elas. Você terá então que pagar o valor cobrado,
“comer” na mão delas, pois detém o monopólio do know-how. Manutenções mais simples e
triviais como troca de elementos de suspensão, direção e freios, por exemplo, passíveis de
serem feitas por fora, estão vetadas sob pena de se perder a garantia. “Mas se tornar refém já
acontece com os carros normais”, diria alguém. Nem sempre, nada impede de você levar seu
veículo “normal” a um profissional de confiança para reparar (confio muito mais em meu
mecânico, experimente conferir no “Reclame Aqui” a reputação dos serviços de
concessionárias), ou conferir se os serviços cobrados pela oficina de fábrica, uma vez utilizados, foram, de fato, executados. Em caso negativo, pode-se voltar e interpelar o consultor que lhe
atendeu.
A conveniência de comprar um automóvel elétrico, portanto, passa muito pelo uso que
se vai fazer dele e o saldo de sua conta bancária. Se, para você, ter um saldo bancário a partir
dos 6 dígitos é uma rotina estável, está firme no “azul” e confia nas oficinas autorizadas, pode
ser uma boa opção, desde que não viaje com ele. Mas atente para uma ressalva: sua revenda é
uma incógnita porque vai envolver uma série de fatores ainda incertos, como aceitação no
mercado de usados, garantia e vida útil da bateria, custos de peças/ reparos, etc. Agora, se 5
dígitos for o teto mais usual e sua cor anda oscilando um pouco, melhor então optar pelo modelo
só a combustão ou pelo híbrido leve.
Um lembrete pra vida toda: Mecânico de automóveis é igual a goleiro da seleção
brasileira, é um cargo de confiança, descubra um bom e seja feliz.
Email: roberto.morais80@gmail.com
Contato: (31) 9 8040-4015
*Roberto Morais é Formado no Curso De Pilotagem Marazzi (SP), Graduado em Educação e Segurança de trânsito pela Universidade Cândido Mendes, Ex professor de Legislação de Trânsito e Direção Defensiva nos cursos de Psicólogo, Perito e Psicologia Aplicada ao Trânsito.

