Créditos: Magnific
03-07-2026 às 09h11
Daniela Rodrigues Machado Vilela*
Existem saberes necessários para uma formação técnica, intelectual e outros para a vida. Os aprendizados não são adquiridos única e exclusivamente nos centros de saber, como as escolas e faculdades. Por todos os lados são recebidas lições de vida e se convive com circunstâncias e pessoas que podem propiciar práticas educativas.
Mas, para aprender é necessário expandir a escuta, estar aberto ao diálogo construtivo, buscar meios para uma convivência afetuosa com o mundo e os outros. Ensinamentos e aprendizados são práticas de exercício permanente e rotineiro.
O ato de se dispor a captar uma informação necessita de desprendimento, por vezes, do já aprendido, das concepções e preconcepções já sedimentadas. Aprendizado é ato de rompimento como as certezas ao se propor um novo olhar.
A razão maior de um conhecimento teórico é aperfeiçoar o indivíduo para um fazer prático. A teoria deve servir à práxis. Conhecer os modos de atuação é condição elementar para mais aperfeiçoadamente se conduzir, colocar em prática as ações.
Autorreflexão, infelizmente, tem se demonstrado como uma prática em desuso. Todos, de modo geral, estão repletos de certezas e, desta feita, vive-se tempos de profunda intolerância.
Porém, também é tempo de desprender as amarras e se permitir fé no futuro. Evidentemente, o trabalho árduo de cada dia também é indispensável para se alcançar os objetivos, nada vem sem esforço e dedicação. Precisamos de menos discursividade, mais afetuosidade e de ações transformadoras.
Vários dos ensinamentos de vida vêm do âmago da convivência doméstica: como as práticas éticas cotidianas, atos de gentileza, bons modos, não interromper de modo grosseiro e outros aprendizados atinentes ao modo de conduta familiar. A escola presta-se a ensinar Matemática, Português, História, Biologia e demais ciências teóricas. Uma faculdade ensina os saberes inerentes para o exercício de determinada profissão.
Os aprendizados adquiridos ao longo da vida estão restritos a um tempo histórico e quanto a isto, ninguém escapa, pois todos vivem por um lapso de tempo entre a morte e o nascimento, mas os valores maiores podem e devem alcançar o que já foi aprendido por outras gerações. Ou seja, podemos aprender com o passado. O conhecimento é cumulativo.
Cabe ao educador se preparar e cuidar para que a sua prática docente aborde a dimensão social com a finalidade de compartilhar valores caros à sociedade como: ética, generosidade, solidariedade e outros.
Para além, cabe o fomento de práticas reflexivas como condição de possibilidade para que atuem todos, de forma incessantemente humanizadora.
A educação é fulcral mecanismo possibilitador de transformação social, pois ensina a pensar. Somente através desta propicia-se capacitação técnico-profissional e humana para tomada de consciência e atuação no mundo. O homem percebe e lê o mundo de modo mais aperfeiçoado quando recebe preparação neste sentido.
Uma educação crítica permite que o indivíduo leia não só livros, jornais e revistas, mas o mundo, que entenda os desafios propostos no plano micro e macro. Ou seja, no que afeta a sua própria vida e o que implica na preservação da vida humana e do planeta.
Educar não é ensinar apenas a ler frases e repeti-las mecanicamente. Ensino transformador pressupõe concatenar saberes, indagar sobre questões fundamentais: como o significado da vida, para onde vamos, de onde viemos, qual nossa missão no mundo, no que podemos nos fazer útil ao longo de nossa passagem pela terra. Enfim, não é só pagar boletos ou tocar em frente, é fazer a diferença de algum modo, ainda que seja aperfeiçoar a própria existência ou a de quem você quer bem.
Educar e aprender são processos inacabados e provisórios. Estamos sempre em busca de aperfeiçoamento. O homem é um eterno ser inconcluso, com potencial de aprender para ressignificar sua visão de mundo.
Um estudante comprometido com o seu processo de aprendizagem é curioso e disposto a aprender mais e, assim, busca intervir e transformar para melhor seu mundo, quiçá o dos outros também.
Para uma formação de valor é indispensável esforço e dedicação nas leituras com a finalidade de obter os aprendizados e ultrapassá-los.
Somos seres históricos. Espera-se de nós, capacidade de entendimento dos problemas e desafios do tempo em que vivemos. As disciplinas devem servir para discutir a história também concreta, atual, de todos, de cada um e do mundo. No mínimo, quem reflete sobre os problemas tem assunto para um bate-papo construtivo com os amigos e familiares.
Uma prática educativa dedicada e astuta pode se fazer como condição de possibilidade para a construção de um instrumental de bondade, humanidade e solidariedade.
Enfim, a educação, precipuamente, deve criar mecanismos para compreensão da realidade. Não deve se prestar simplesmente a ser um repetir atos de memorização mecânica de frases ou postulados. Deve se fazer enquanto um instrumento para aperfeiçoar a reflexão sobre a realidade com a finalidade de melhorar a vida das pessoas. Afinal, educar não é adestrar, mas sim, formar para transformar. Quem recebe um instrumental de saberes qualificado tem diante de si condição de possibilidade para viver melhor.
*Doutora, Mestra e Especialista em Direito (UFMG), com Pós-doutorado (UFMG) com financiamento público (FAPEMIG). Professora Universitária. Pesquisadora com ênfase em Trabalho, Filosofia e Linguagem. Diletante na arte da vida e da pintura.

