A evolução do Boteco Mané após 30 anos - créditos: divulgação
12-06-2026 às 17h118
Carlos Mota*
Quando conclui o Científico no Colégio Diamantinense e o Serviço Militar, fui passar férias em Minas Novas, porém certo de que retornaria a Diamantina no início de 1975, todavia Belo Horizonte acabou se tornando o meu destino.
Além de uma caixa de papelão que eu deixara no Hotel Globo, contendo textos por mim escritos, eu não me lembrava de que eu deixara no Bar de Mané Minha Égua, perto do hotel em que eu morava, uma folha de papel mil vezes mais perigosa: uma conta de boteco não paga!
Anos se passaram, e eu até visitava Diamantina, mas não passava naquele boteco mais estranho ou esquisito do que eu, como insinuavam ambos estes apelidos com os quais eu era conhecido em Diamantina.
Mas já deputado, cai na besteira de visitar o velho, banguela e turrão, Mané Meia Égua.
Bar cheio, já fui recebido com uma salva de xingamentos, mas saquei rápidamente do bolso o meu talão de cheques, e com Mané gritei:
– soma a veiaca, pois sai de Brasília pra te pagar!
Mané abriu seu sorrisão ausente de dentes, pegou seu caderno e pôs a atualizar o valor de três cervejas que eu ficara devendo trinta anos antes.
E Mané inflou aquelas três cervejas, adicionando a data, o número 19, meu número no Tiro de Guerra, o 4099, o meu número eleitoral, de sorte (para ele), azar (para mim), que eu tinha que lhe pagar por aquelas três cervejas a quantia exata de cinco mil reais.
Mas dobrei a aposta com um cheque de dez mil, e mandei servir cervejas e pingas a todos os presentes, mas Mané foi mais uma vez mané:
⁃ Tem fundo, deputado?!?
⁃ Tem sim, seu abusado!!!
*Carlos Mota é procurador federal, ex-deputado federal, escritor e membro da ALVA – Academia de Letras do Vale do Jequitinhonha

