Créditos: Divulgação/Arquivo pessoal
27-05-2026 ás 08h44
Carlos de Zé Durval Coelho*
Em 1937, com quinze anos de idade, o meu pai finalmente resolveu aceitar o convite de meu avô para conhecer Diamantina, cidade em que a tropa dele ia a cada mês, numa jornada de 24 dias de ida e volta.
Mas após meros quatro dias de viagem, na cidade de Grão Mogol, o meu empacou feito burro e não quis acompanhar a tropa, e o meu avô aceitou, mas disse para ele, enquanto aguardasse o seu retorno, que ficasse garimpando diamantes naquela Serra do Espinhaço.
Meu pai jamais pegara numa picareta ou coisa parecida, mas ordem era ordem, e ele começou a cavar de sol a sol, até que deu de cara com um bamburro, lavou aquele cascalho e se deu conta de que eram diamantes.
E nos dias seguintes, ele voltou à grupiara e continuou carregando aquele cascalho rico, apurando mais diamantes e os escondendo nos bolsos.
Quinze dias depois, assim que viu a tropa se aproximar de Grão Mogol, o meu pai foi ao encontro do meu avô e ele quase que desmaiou ao ver o meu pai lhe mostrar um embornal repleto de diamantes, mas o meu avô se conteve em não chamar a atenção dos seus tropeiros e inventou que teria que voltar a Diamantina na manhã seguinte, para curar as feridas de meu pai, pretexto para pegarem o trem e irem para Belo Horizonte e lá venderem aqueles diamantes.
Foram, venderam e o meu comprou tudo o que um jovem deseja, como bicicleta, rádio, relógio, roupas novas e caras, sapatos, gravatas, máquina fotográfica, e a Minas Novas chegou num táxi e podre de rico, e lá montou uma loja, formou dois times de futebol e se tornou benemérito da cidade, sobretudo como festeiro de vários santos.
Aos dezesseis, ele foi emancipado pelo meu avô e resolveu atar namoro com uma de suas muitas pretendentes, inclusive primas, mas o meu avô recusava todas, até que o meu pai lhe disse estar apaixonado por uma jovem da família Senna Motta, e que veio a ser a sua esposa em 1940, numa festa de arromba jamais vista na cidade.
O casal teve doze filhos – eu sou o sexto – mas com o passar dos anos, a fortuna foi minguando, pois o meu pai nos colocar nos melhores colégios, feito o Colégio Diamantinense, o Nossa Senhora das Dores, além do Nazaré em Araçuaí, onde se formou como normalista a sua irmã Caçula, tia Celina, o Nossa Senhora dos Anjos, em Itambacuri, além de outros em Belo Horizonte.
Não ficou de todo pobre, mas nos deixou ricos em conhecimentos!

