Créditos: Divulgação
20-05-2026 às 14h36
Ricardo Baeta*
A convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo FIFA 2026 voltou a levantar um debate que
nunca sai de pauta no futebol brasileiro: até onde vai o peso da história de um jogador diante do momento
atual dentro de campo? E, desta vez, o nome central dessa discussão é novamente o de Neymar.
Ídolo, craque, artilheiro histórico da Seleção e um dos maiores talentos que o futebol brasileiro produziu
nas últimas décadas, Neymar continua sendo um nome que mexe com o imaginário do torcedor. Mas a
pergunta que paira no ar é inevitável: ele chega à Copa como protagonista técnico ou apenas como um
talismã emocional do grupo?
A realidade é que o futebol apresentado recentemente pelo camisa 10 já não é o mesmo de outros
tempos. Lesões frequentes, pouco ritmo de jogo e uma sequência irregular nos últimos anos fizeram com
que Neymar deixasse de ser unanimidade até entre os mais apaixonados pela Amarelinha. Ainda assim,
sua presença carrega um peso simbólico gigantesco.
Dentro do vestiário, Neymar representa experiência, liderança e respeito internacional. Para muitos
jogadores mais jovens, ter o camisa 10 ao lado ainda significa confiança. É como se sua simples presença
ajudasse a diminuir a pressão de vestir a camisa mais pesada do futebol mundial.
O técnico Carlo Ancelotti sabe disso. Experiente e estrategista, Ancelotti entende que Copa do Mundo não
se joga apenas com números, estatísticas ou desempenho recente. O fator emocional também conta — e
muito. Nesse aspecto, Neymar segue sendo uma referência.
Por outro lado, cresce a expectativa para que novos protagonistas assumam definitivamente o comando
técnico da Seleção. Jogadores como Vinícius Júnior, Luiz Henrique e Endrick representam uma geração
mais intensa, veloz e fisicamente preparada para o futebol moderno.
Talvez o maior desafio da Seleção seja exatamente esse: equilibrar tradição e renovação. Neymar já não
parece carregar sozinho a responsabilidade de decidir partidas como antes, mas ainda pode exercer um
papel importante nos bastidores, no ambiente e até em momentos pontuais dentro de campo.
Se antes o Brasil dependia do brilho individual de Neymar, hoje a sensação é diferente. A Seleção parece
caminhar para uma construção mais coletiva, menos dependente de um único nome. E, nesse cenário,
Neymar pode acabar assumindo um novo papel: o de símbolo, inspiração e talismã de uma geração que
tenta recolocar o Brasil no topo do futebol mundial.
Porque, gostem ou não, quando Neymar veste a camisa da Seleção, ainda existe algo que mexe com o
torcedor brasileiro. Mesmo que agora, talvez, muito mais pelo que ele representa do que propriamente
pelo futebol apresentado dentro das quatro linhas.
*Ricardo Baeta é Contador

