IA entra oficialmente nos currículos - créditos: divulgação
16-05-2026 às 12h15
Enzo Merlo*
Aprovado em 11 de maio de 2026 pelo Conselho Nacional de Educação, o parecer prévio traz recomendações para o uso de IA na educação básica e superior. O documento não é uma lei, nem resolução, é uma recomendação com caráter orientativo. As instituições terão autonomia para adotar ou não as medidas.
O parecer propõe para a educação básica que os conteúdos devem ser integrados de forma “planejada, articulada e progressiva”, sendo as diretrizes de ensino do tema voltadas para compreensão básica de sistemas computacionais e aplicações de IA; pensamento lógico, analítico e crítico; reflexão sobre implicações éticas, sociais e culturais; compreensão do papel dos dados nos sistemas de IA.
O texto também conta com uma recomendação voltada para o desenvolvimento de capacidades metacognitivas (refletir sobre o próprio processo de pensamento mediado por IA). As orientações pedagógicas estão presentes de forma incisiva, já que no ensino básico será necessária uma articulação entre letramento em IA, digital, midiático e computacional.
Dados do TIC Educação 2024, divulgada pelo Cetic.br e NIC.br (set/2025), indicaram que 7 em cada 10 alunos do ensino médio usuários de internet usam usam IA generativa (ChatGPT, Copilot, Gemini) para pesquisas escolares e apenas 32% receberam orientação escolar sobre uso seguro. De acordo com uma pesquisa realizada pela Fundação Itaú, 79% dos professores brasileiros já usaram IA e mais da metade usa a ferramenta para preparar aulas ou corrigir provas (dados da Talis/OCDE).
Com essa nova grade curricular em mente, as escolas já estão se mobilizando para enfrentar essas novas mudanças. A comunicação com as famílias será uma questão central para que haja transparência em relação a quais ferramentas de IA serão utilizadas e orientações dos pais e responsáveis sobre o uso seguro em casa.
A diretora da ESB (Escola Suíço-Brasileira), Rachel Guanabara, comenta que as IA’s podem auxiliar os alunos no aprendizado de outros idiomas: “O uso de inteligência artificial nas escolas tem crescido exponencialmente entre alunos e professores. No ensino de idiomas, especialmente de inglês, esse movimento é ainda mais evidente: ferramentas de IA permitem que cada estudante pratique conversação, pronúncia e escrita no próprio ritmo, algo que antes dependia de horas extras de tutoria individual. Cabe à escola, agora, ensiná-los a usar essas ferramentas com discernimento.”
O ensino de línguas, com destaque para o inglês, tem produzido transformações significativas no cotidiano escolar. Isso ocorre porque o ensino de idiomas combina repetição, prática conversacional, correção contínua e personalização, com algoritmos adaptados ao nível de proficiência e estilo de aprendizagem do aluno.
Entre os desafios, a capacitação dos professores, das equipes pedagógicas e do corpo docente como um todo, se fará essencial para que a IA seja implementada de forma segura. O professor agora deixa de ser fonte única de informação e passa a curar conteúdos, avaliar respostas geradas por IA e mediar a relação do aluno com as ferramentas.
Rachel avalia que as escolas terão que se adaptar a esse novo modelo “O maior desafio das escolas brasileiras nos próximos anos não é adquirir ferramentas de IA — é formar professores capazes de usá-las com intencionalidade pedagógica. Nenhuma tecnologia entrega resultado sem mediação humana qualificada.”
Uma tendência apontada pela Fundação Lemann para 2026 é de que “a qualidade das soluções tecnológicas torna-se tão relevante quanto a formação dos professores para utilizá-las de forma crítica, ética e intencional”

