Créditos: Divulgação/Unique Stone
06-05-2026 às 13h28
Fernanda Fernandes*
O setor de rochas ornamentais brasileiro, com destaque para o segmento de quartzitos, vive um momento de ajuste frente à volatilidade do dólar. Embora a valorização da moeda americana aumente a competitividade das pedras naturais brasileiras no exterior, também existe a pressão nos custos de extração e logística, que acompanham a subida da moeda.
De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Rochas Ornamentais (Abirochas), as exportações brasileiras de rochas naturais alcançaram US$ 1,26 bilhão em 2024. Desse total, as chapas e blocos de quartzitos maciços representaram uma parcela significativa, correspondendo a 48% do volume total de exportações no período.
O Brasil se consolidou como um grande exportador mundial de quartzito, uma rocha de alto valor agregado que combina a estética nobre com uma resistência maior que pedras como mármore e granito. Com o câmbio favorável, as empresas nacionais têm conseguido ampliar sua presença em mercados internacionais, como os Estados Unidos e a Europa.
“A valorização do dólar pode atuar tanto positivamente quanto negativamente para o exportador. Por um lado, a conversão das vendas internacionais resulta em uma receita maior em reais, permitindo margens de lucro mais saudáveis. Porém, o quartzito é um produto de luxo, e nossa competitividade depende de tecnologia de ponta, muitas vezes importada”, comenta o CEO da Unique Stone, empresa especializada na exportação de pedras naturais brasileiras, Bernardo Imperial.
Segundo Imperial, quando a moeda sobe, o custo operacional (OPEX) e os investimentos em novas máquinas (CAPEX) também sofrem reajustes. Apesar dos desafios, a demanda pelo quartzito brasileiro permanece bastante relevante.
“Variedades famosas como o Taj Mahal e o Avohai são uma tendência cada vez maior na arquitetura de alto padrão internacional, o que garante ao Brasil um poder de negociação diferenciado em relação a materiais sintéticos”, ressalta o CEO.
Estratégias e perspectivas para o mercado global
Com os Estados Unidos representando mais de 90% de suas vendas, a Unique Stone mantém um mapeamento constante desse mercado, essencial para orientar suas estratégias comerciais.
“Os EUA são destacados como o maior comprador mundial. Embora tarifas alfandegárias atinjam produtos como granito e mármore, os itens de maior valor agregado da empresa, como quartzito e cristal, mantêm livre acesso. Esse mapeamento detalhado não apenas direciona as vendas, mas também impulsiona a busca por novos materiais”,
Para contornar os riscos cambiais e o aumento dos custos de importação de maquinário e peças de reposição, Imperial reforça que priorizar a proteção e investir em materiais de maior valor agregado é uma alternativa.
“Em termos de mecanismos financeiros de proteção, o hedge bancário funciona como uma trava contra quedas bruscas do dólar. Contudo, uma empresa com um capital forte é o fator mais importante para absorver as variações do mercado”, explica o CEO.
Apesar dos desafios cambiais internos, o Brasil é percebido como um parceiro estável pelo comprador internacional. “A forte demanda global por pedras naturais brasileiras permite que as variações cambiais sejam absorvidas sem gerar insegurança nas negociações de longo prazo, já que os compradores internacionais transacionam em dólar e não são diretamente afetados”, conclui Imperial.

