05-05-2026 às 11h42
Samuel Arruda*
O cenário político de Minas Gerais para as eleições de 2026 permanece em ebulição, marcado por negociações intensas e indefinições estratégicas entre os principais nomes do estado. Nos bastidores, uma das articulações que mais tem chamado atenção envolve o senador Cleitinho Azevedo e o ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli, que discutem a possibilidade de compor uma chapa para a disputa ao governo mineiro.
A aproximação entre Cleitinho e Medioli não é recente, mas ganhou novo impulso ao longo de 2026. Medioli, que inicialmente avaliava candidaturas proporcionais, passou a admitir com mais clareza a hipótese de integrar uma chapa majoritária, seja como candidato ao governo ou como vice. Interlocutores próximos apontam que há convergência política entre os dois, especialmente em pautas ligadas à gestão e ao discurso voltado ao eleitorado conservador e antipolítica tradicional. Ainda assim, a formação da chapa depende de fatores mais amplos, como a estratégia do PL em Minas e o alinhamento com lideranças nacionais da direita.
O próprio Cleitinho segue como peça central nesse tabuleiro. Liderando pesquisas de intenção de voto, ele ainda não confirmou oficialmente se disputará o governo, mantendo uma postura de cautela enquanto avalia o cenário político. Sua eventual candidatura tem potencial de reorganizar completamente a disputa, influenciando decisões de aliados e adversários. Nos bastidores, a expectativa é de que sua definição ocorra no primeiro semestre, o que deve destravar outras composições.
Enquanto isso, o senador Rodrigo Pacheco mantém uma posição igualmente indefinida. Apontado como possível candidato ao governo com apoio de setores do centro e interlocução com o governo federal, Pacheco ainda não confirmou se entrará na disputa. Seu futuro político passa por diferentes possibilidades, que incluem desde uma candidatura ao Executivo estadual até a tentativa de reeleição ao Senado ou mesmo uma saída momentânea da linha de frente eleitoral. A cautela do senador reflete tanto o cenário fragmentado quanto a necessidade de construção de uma base sólida antes de qualquer anúncio.
Já o ex-governador Aécio Neves aparece em posição distinta. Embora continue sendo uma figura influente na política mineira, especialmente nos bastidores e na articulação partidária, Aécio tem sinalizado que não pretende disputar o governo em 2026. Sua atuação se concentra mais na reorganização de seu campo político e na formação de alianças, buscando manter relevância em um cenário em que novos nomes ganharam protagonismo.
O quadro eleitoral mineiro, portanto, segue aberto e altamente dependente das decisões desses atores. A possível união entre Cleitinho e Medioli desponta como uma das movimentações mais relevantes no campo da direita, enquanto a indefinição de Pacheco mantém o centro político em compasso de espera. Ao mesmo tempo, a presença de Aécio nos bastidores reforça a complexidade de um cenário em que velhas e novas lideranças disputam espaço. E neste contesto, Kalil que disputou com Romeu Zema as eleições de 2022 segue com a sua pré-candidatura bem definida.
Com o calendário eleitoral avançando, a tendência é de que as próximas semanas sejam decisivas para a consolidação das candidaturas e alianças. Até lá, Minas Gerais permanece como um dos estados mais imprevisíveis do país no xadrez político de 2026.
*Samuel Arruda é jornalista e articulista

